O número de motoboys no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionado pelo trabalho em aplicativos de entrega. Dados da Abraciclo mostram que 2025 terminou com recorde de vendas de motocicletas: 2,1 milhões de unidades, alta de 17,1% em relação a 2024. A projeção para 2026 é de 2,3 milhões. As locadoras também registraram salto: mais de 70 mil motos emplacadas em 2024, alta de quase 90%, totalizando frota de 140 mil unidades.
O aluguel de motos virou atalho para começar a trabalhar rapidamente, sem entrada ou análise de crédito rigorosa, segundo Geraldo Carneiro, fundador da Byker, empresa de locação. A motocicleta ganhou papel estratégico por unir baixo custo operacional, rapidez e alta demanda nas grandes cidades.
No entanto, o avanço do delivery expõe um modelo híbrido, que mistura autonomia, informalidade e dependência das plataformas. Muitos entregadores não estão completamente fora das estatísticas de formalização, mas também não têm acesso a garantias trabalhistas típicas. O entregador arca com combustível, manutenção, seguro e documentação, além de assumir riscos de acidentes e desgaste do veículo.
Estudo do Ipea intitulado “Plataformização e Precarização do Trabalho de Motoristas e Entregadores no Brasil” aponta que a renda média da categoria caiu de cerca de R$ 2.250 para aproximadamente R$ 1.800 ao longo dos últimos anos. Já dados do Cebrap indicam renda líquida mensal entre R$ 2.669 e R$ 3.581 até 2024. O Ipea também mostra aumento das jornadas: cresceu a proporção dos que trabalham mais de 49 horas por semana e dos que ultrapassam 60 horas.



