O corpo encontrado no costão da Avenida Niemeyer, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (28), é possivelmente do professor de surfe José Ricardo Ramos, conhecido como Bocão, de 42 anos, fundador da Rocinha Surfe Escola. Ele estava desaparecido desde a última quarta-feira (25), quando entrou no mar na Praia de São Conrado e não retornou.
Buscas intensas e como o corpo foi localizado
As buscas duraram cinco dias e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, que atuaram com embarcações, drones e mergulhadores. O corpo foi avistado por volta das 8h por um helicóptero da corporação, encravado entre as pedras do costão, em um trecho de difícil acesso. A remoção exigiu técnicas de rapel e apoio de equipes especializadas.
Segundo informações preliminares, o corpo apresentava roupas semelhantes às que Bocão usava no dia do desaparecimento: bermuda preta e camiseta branca. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), será responsável pela identificação oficial, que deve ocorrer por exame de DNA ou papiloscopia nas próximas horas.
Quem era José Ricardo Ramos, o Bocão
José Ricardo Ramos era morador da Rocinha e fundador da Rocinha Surfe Escola, projeto social que atende crianças e jovens da comunidade, ensinando surfe e promovendo cidadania. Bocão era conhecido por seu trabalho voluntário e por ser uma figura querida no bairro e entre os surfistas cariocas. Ele deixa esposa e dois filhos.
Nas redes sociais, amigos e familiares organizaram campanhas de compartilhamento de fotos e informações, pedindo ajuda para localizá-lo. A notícia do desaparecimento gerou comoção e mobilizou até mesmo surfistas famosos, que divulgaram o caso.
Relembre o desaparecimento
Bocão entrou no mar por volta das 17h da quarta-feira (25), na altura do Posto 7, em São Conrado. Ele estava sozinho e não havia previsão de ressaca ou condições adversas, mas ondas fortes podem tê-lo arrastado para a área de pedras. Amigos que estavam no local relataram que ele costumava surfar naquele trecho e conhecia bem o mar.
As buscas começaram ainda na quarta, com bombeiros e guarda-vidas, e se estenderam pelos dias seguintes, mas sem sucesso até o achado do corpo. A família mantinha esperanças de encontrá-lo com vida, mas o estado do corpo indica que ele teria morrido afogado logo após o desaparecimento.
Próximos passos
A Polícia Civil aguarda a conclusão dos exames periciais para confirmar a identidade e determinar a causa da morte. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. A Rocinha Surfe Escola divulgou nota de pesar e informou que as atividades estão suspensas por tempo indeterminado.
O caso serve de alerta para a importância de medidas de segurança no mar, como uso de leash e atenção às condições meteorológicas, mesmo para surfistas experientes.



