Justiça do Ceará inocenta motorista preso por engano após quase 3 anos
Justiça do Ceará inocenta motorista preso por engano

A Justiça do Ceará inocentou o motorista de aplicativo Guilherme Souza Ferreira, que passou mais de dois meses preso e respondeu a um processo criminal por quase três anos devido a um erro de identificação. O jovem foi preso injustamente em setembro de 2023, após uma confusão de identidade e fraudes envolvendo seu antigo número de celular.

Prisão e acusações

Em 5 de setembro de 2023, Guilherme foi acordado, algemado e preso na porta de casa, em Maracanaú. Ele foi acusado de crimes cometidos na Região Metropolitana de Fortaleza, incluindo homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Réu primário, o motorista afirmou em depoimento que nunca teve envolvimento com armas ou drogas. A Polícia Civil, no entanto, sustentava que o perfil dele coincidia com o de um suspeito procurado.

Contradições na investigação

Segundo os agentes, o verdadeiro criminoso atuava como motorista de aplicativo desde 2018, possuía o mesmo número de telefone de Guilherme e já havia sido preso em Itapajé, em 2016. A defesa do jovem apontou contradições: Guilherme só começou a trabalhar em aplicativos de transporte em 2023; em 2018, era menor de idade e não possuía CNH. A defesa também comprovou que ele nunca esteve em Itapajé. Outro ponto relevante é que Guilherme teve o celular roubado no passado e perdeu o acesso ao número, mas não registrou boletim de ocorrência. A suspeita é de que os verdadeiros criminosos fraudaram os dados e passaram a usar a linha telefônica em ações ilegais.

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Absolvição e fundamentação

Guilherme passou mais de dois meses preso até que a Justiça relaxasse a prisão por falta de provas. Nesse período, perdeu os primeiros meses de vida do filho recém-nascido. Mesmo em liberdade, viveu quase três anos temendo ser abordado e voltar à prisão, pois o processo ainda corria. A confirmação oficial da inocência veio após quase três anos. Na decisão, o juiz reconheceu a fragilidade das evidências, ressaltando que condenações criminais exigem "prova segura de autoria, não sendo admissível elementos indiretos ou extraídos somente de perfis virtuais".

Próximos passos

Com a absolvição, a família informou que o próximo passo é buscar uma indenização junto ao Estado do Ceará pelo tempo em que o jovem permaneceu preso indevidamente.

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