Juíza Sotomayor recebeu R$ 20 mil em ingressos de gravadora ligada a Bad Bunny
Juíza Sotomayor recebeu R$ 20 mil em ingressos de Bad Bunny

A juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Sonia Sotomayor recebeu mais de R$ 20 mil (equivalentes a mais de US$ 4 mil) em ingressos para um show do cantor porto-riquenho Bad Bunny, oferecidos por uma gravadora ligada ao artista. O caso veio à tona após relatórios financeiros divulgados recentemente, que também apontam milhões de dólares em pagamentos por livros a outros ministros da Corte.

Detalhes dos ingressos e viagem

Segundo os registros de declaração financeira, Sotomayor declarou os ingressos para o show de Bad Bunny, ocorrido durante uma viagem particular a Porto Rico, em 2023. Os bilhetes foram fornecidos pela Rimas Entertainment, gravadora que representa o cantor. O valor total dos ingressos ultrapassou US$ 4 mil, o que gerou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

A juíza, que é de origem porto-riquenha, já havia manifestado admiração pelo artista. Em nota, a assessoria da Suprema Corte afirmou que Sotomayor seguiu todas as regras de transparência e que os ingressos foram declarados conforme a legislação. No entanto, críticos apontam que o recebimento de presentes de empresas ligadas a partes que podem ter interesses na Corte levanta preocupações éticas.

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Pagamentos por livros a ministros

Além do caso de Sotomayor, os relatórios financeiros revelaram que outros ministros da Suprema Corte receberam milhões de dólares em pagamentos por livros. Entre eles, o juiz Clarence Thomas, que recebeu mais de US$ 1 milhão em adiantamentos e royalties de suas obras. O juiz Samuel Alito também declarou valores significativos.

Os pagamentos por livros são permitidos pela legislação, mas especialistas em ética argumentam que podem criar dependência financeira de editores e influenciar decisões judiciais. A falta de limites mais rígidos para presentes e rendas externas de juízes da Suprema Corte tem sido alvo de debates no Congresso americano.

Reações e implicações

Organizações de transparência e reforma judicial criticaram a situação. "A Suprema Corte precisa de regras éticas mais claras para evitar conflitos de interesse", disse Michael Smith, diretor do Centro para Integridade Judicial. "Os juízes não deveriam receber presentes ou pagamentos de entidades que possam ter casos perante a Corte."

O caso de Sotomayor e os pagamentos por livros a outros ministros reacenderam o debate sobre a necessidade de um código de ética vinculante para a Suprema Corte dos EUA. Atualmente, os juízes seguem regras gerais, mas não estão sujeitos ao mesmo código de conduta aplicado a juízes federais de instâncias inferiores.

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