O autônomo Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, foi preso em flagrante e confessou ter assassinado a sogra, Leonice Aparecida Moscon, de 61 anos, em Sertãozinho, interior de São Paulo, na segunda-feira (15). O crime ocorreu na residência da vítima, que foi encontrada morta por uma de suas filhas, companheira do suspeito. De acordo com informações preliminares do Instituto Médico Legal (IML) repassadas à Polícia Civil, Leonice sofreu 38 golpes de faca.
Como o crime foi descoberto?
Leonice foi encontrada deitada sobre a cama, com uma faca cravada no peito e múltiplos ferimentos. A filha da vítima estranhou a falta de resposta às mensagens enviadas à mãe e foi até a residência acompanhada do marido, Ygor, quando se deparou com o corpo. A casa não apresentava sinais de arrombamento, o que levou a polícia a suspeitar que o autor fosse alguém próximo.
Suspeito deu entrevista antes da prisão
Enquanto a polícia trabalhava na cena do crime, Ygor conversou com a imprensa na porta da casa da sogra. Ele afirmou que consolou a esposa: "Foi minha esposa que viu ela primeiro. Ela entrou, viu ela, aí ela pegou e gritou 'Nossa, mataram minha mãe.' Aí eu peguei e fui na janela e vi ela com uma faca cravada no peito, onde eu peguei e saí atrás dela e consolei ela." Apesar de ser vizinho da sogra, disse não ter ouvido nenhum barulho estranho vindo do imóvel.
O que levou à prisão do suspeito?
Ygor foi preso em flagrante no mesmo dia. Policiais encontraram roupas com manchas de sangue em uma lixeira em frente ao imóvel, atribuídas ao suspeito. Uma blusa vermelha, que ele teria usado no dia do crime, foi apreendida para perícia. Outro elemento foi um ferimento recente em uma das mãos de Ygor, cuja explicação foi considerada vaga pela Polícia Civil.
Qual a justificativa dada por Ygor?
Em interrogatório, Ygor confessou o assassinato e alegou que matou a sogra para proteger o filho de supostos abusos sexuais. Segundo o delegado Igor Dorsa, o suspeito afirmou que interpretava como inadequadas as demonstrações de carinho e os presentes dados pela avó ao neto. Ele também relatou temer que o filho sofresse algo semelhante ao que afirma ter vivido na infância com um padrasto. No entanto, a Polícia Civil afirma que não encontrou indícios que sustentem essa suspeita. “Não tem nada de concreto relacionado a isso. Pelo menos não foi coletado nada na investigação nesse sentido”, disse Dorsa. Ygor também alegou sofrer de esquizofrenia e transtorno de bipolaridade.
O que diz a família da vítima?
Os familiares de Leonice rejeitam a versão do suspeito. Uma das filhas, Marilene Schiavinato Mariano, descreveu Ygor como violento e disse que ele já havia agredido a irmã em outras ocasiões. “Ele vai usar essa justificativa para a Justiça amenizar a situação dele, mas ele não é louco. Ele é psicopata, ele é frio, ele é calculista, porque ele calculou a morte da minha mãe. Dá uma nota de R$ 200 para ele e veja se ele rasga”, afirmou Marilene. A família classifica a alegação de abuso como absurda e destaca que Leonice era uma avó presente.
O que diz a defesa?
O advogado de Ygor, Augusto José Costa, afirmou que pretende pedir a instauração de um incidente de insanidade mental. Segundo ele, Ygor tem diagnóstico de transtorno afetivo bipolar e já havia sido absolvido por uma tentativa de homicídio contra o padrasto em razão de problemas psiquiátricos. Ele estava livre da acusação há um mês. “Dadas as circunstancias e como ele narra os fatos, há uma suspeita de que ele seja incapaz de responder mentalmente pelos atos que praticou naquele momento. O que não significa que essa pessoa não é punida, ela é tratada dentro de uma instituição judicial”, disse Costa.
Motivação financeira é investigada
Leonice havia contratado recentemente um empréstimo de R$ 13 mil. A Polícia Civil ainda verifica se houve movimentação financeira atípica. O delegado Igor Dorsa afirmou que todas as linhas de investigação continuam sendo apuradas.
Como anda a investigação?
Ygor está preso preventivamente. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais e analisa imagens de câmeras de segurança. Os celulares da vítima e do suspeito foram apreendidos e passam por perícia. A investigação busca esclarecer se a motivação foi exclusivamente a relatada pelo suspeito ou se outros fatores contribuíram.
O que pode acontecer com Ygor?
Caso seja considerado capaz de compreender os próprios atos, Ygor responderá por feminicídio e poderá ser julgado pelo tribunal do júri. Se for constatada incapacidade mental, ele poderá ser submetido a uma medida de segurança, com internação psiquiátrica, em vez de pena em penitenciária comum. A definição dependerá das perícias e do incidente de insanidade mental.



