A Polícia Civil investiga pelo menos nove inquéritos contra o escritório de advocacia Cremasco e os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco por supostos desvios de valores destinados a clientes em Campinas (SP). Em uma das ações, a Justiça condenou os três a pagar R$ 239,5 mil a um trabalhador que não recebeu o montante de uma ação trabalhista vencida em 2014, além de R$ 20 mil por danos morais. A decisão, publicada na sexta-feira (3), cabe recurso.
Investigação e acusações mútuas
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), há inquéritos em andamento, um deles instaurado em 2025 após denúncia do Ministério Público estadual. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Thais afirmou que o pai, José Antonio, era o responsável pelos repasses. “O Cremasco quem indicava em qual conta o dinheiro deveria cair. Eram mais de 20 escritórios, de 20 advogados na equipe, e cada um recebia esse dinheiro e passava para o Cremasco, que era o advogado do processo. Ele pagava os clientes”, disse. Ela negou envolvimento: “Jamais imaginei que ele poderia estar se apropriando de dinheiro de clientes”.
José Antonio, por sua vez, responsabilizou a filha, afirmando que ela “detinha total gerência tanto da conta corrente de minha conta empresarial como de sua própria” entre 2022 e 2024. Ele negou que haja clientes sem recebimento antes de 2022 ou após 2025, e disse que contratou um administrador profissional em agosto de 2025 para organizar as finanças.
Condenação judicial
O juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, determinou que o escritório e os advogados paguem R$ 239.551,93 ao cliente, valor que deveria ter sido repassado após o êxito na ação trabalhista. O montante total da causa era R$ 319.402,58, dos quais 25% seriam honorários. O trabalhador só soube do pagamento por meio de um alvará judicial e, após notificação extrajudicial sem resposta, ajuizou a ação. Na decisão, Guinsani afirmou que “a conduta dos réus configura inadimplemento contratual e ato ilícito, na medida em que os mandatários levantaram os valores resultantes do êxito da reclamação trabalhista e não os repassaram ao mandante”.
Posição da OAB e manifestações
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que Thais renunciou ao cargo no Conselho Seccional da OAB paulista neste ano. Processos no Tribunal de Ética e Disciplina (TED) tramitam sob sigilo. O Ministério Público não se manifestou até a última atualização.
Thais declarou que, antes de romper relações com o pai em 2024, ele teria assinado documento reconhecendo dívidas com clientes. Ela se disse disposta a ajudar as vítimas, pedindo penhora de honorários futuros do escritório. “Infelizmente existem muitas provas de violências verbais contra a minha pessoa e eu perdi um pai, perdi o meu herói”, desabafou.
José Antonio, em nota, afirmou que a filha não tem vínculo com o escritório desde novembro de 2024 e que há processo de prestação de contas em andamento. Ele reconheceu sua responsabilidade pelo nome do escritório e disse estar pagando clientes em atraso conforme novos recebimentos.



