Um levantamento alarmante revela que sete em cada dez vítimas de maus-tratos a idosos em Campinas (SP) são mulheres, e a maioria das agressões, cerca de 57,5%, é cometida por familiares próximos, como filhos, netos ou companheiros. Os dados, fornecidos pela prefeitura de Campinas, apontam que a violência física representa 35,3% dos casos, seguida por negligência e abandono (27%) e violência psicológica (15,9%).
Relato de uma sobrevivente
Uma idosa de 97 anos, que viveu uma década de violência ao lado do filho e da nora, compartilhou sua história. "Que Deus, Nosso Senhor, te abençoe muito, que você nunca precise passar por isso. É uma coisa muito sofrida", desabafou. Ela contou que precisava se alimentar escondida: "Eu comia tudo escondido. Eu pegava lá no fogão devagarzinho, sem fazer barulho, para que ninguém notasse que a gente estava mexendo nas panelas. Eu chorava à noite, que era para ninguém notar, mas os meus olhos me acusavam. Ela [nora] conseguiu tirar o meu melhor de vida que eu tinha".
Aumento expressivo de casos
Dados do Sistema de Informação de Agravo de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, mostram que o número de ocorrências em Campinas saltou de 86 em 2020 para 256 em 2025, um aumento de 197% em cinco anos. O Conselho Municipal do Idoso tem recebido muitas denúncias de maus-tratos em casas de longa permanência e informa que intensificou a fiscalização desses estabelecimentos.
Posição da prefeitura
A Prefeitura de Campinas afirmou que acompanha com atenção o crescimento das notificações de violência contra a pessoa idosa. Para a administração, o aumento reflete tanto o fortalecimento da rede de proteção quanto dos mecanismos de denúncia, que tornam visíveis situações antes subnotificadas.



