O início da safra da cana-de-açúcar impulsionou a geração de empregos formais no Norte Fluminense em maio. A região registrou saldo de 2.567 vagas com carteira assinada, número 111,62% maior que o registrado em abril, segundo levantamento com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Campos lidera criação de vagas
Campos dos Goytacazes liderou a criação de postos de trabalho no mês, com saldo de 1.799 vagas, seguido por São Francisco de Itabapoana (324), Macaé (283) e São João da Barra (121). Apesar do avanço em maio, o desempenho da região no acumulado do ano ainda está abaixo do registrado em 2025. Entre janeiro e maio, foram geradas 6.298 vagas de emprego, uma redução de 23,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Ranking anual e setores
No ranking regional do acumulado do ano, Macaé aparece na liderança, com saldo de 2.478 vagas, seguido por Campos dos Goytacazes (2.322), São João da Barra (874) e São Francisco de Itabapoana (428). Na análise por setores, os serviços lideram a geração de empregos, com saldo de 2.740 vagas entre janeiro e maio. Em seguida aparecem a agropecuária (1.690), a indústria (1.185) e a construção civil (664). O comércio foi o único segmento a registrar saldo negativo no período, com fechamento de 177 postos de trabalho.
Contexto estadual e nacional
No estado do Rio de Janeiro, o saldo acumulado em 2026 é de 42.675 vagas formais, enquanto o Brasil registra 767.326 novos empregos no mesmo período.
Empregos temporários e sazonalidade
Para o economista Alcimar Chagas, o crescimento observado em maio acompanha um movimento típico do início da safra da cana, mas tem duração limitada. Segundo ele, a atividade tem caráter sazonal e costuma concentrar contratações por um período de cerca de três meses. Depois disso, a tendência é de desaceleração na geração de vagas. “O grande desafio é que esse setor tem uma natureza sazonal. No máximo três meses ele gera trabalho”, afirma.
O economista também chama atenção para a queda no ritmo de criação de empregos da atividade em relação ao ano passado e avalia que, após o fim da safra, o setor de serviços volta a ser o principal responsável pela absorção da mão de obra. Na avaliação dele, entretanto, a predominância de atividades de baixo conteúdo tecnológico na região limita a oferta de empregos com melhores salários. “Essa região precisa pensar, fundamentalmente, em negócios de base tecnológica e em atividades que gerem empregos mais consistentes”, conclui.



