Casal de 50 anos celebra recuperação após cirurgias no mesmo dia
Casal de 50 anos celebra recuperação após cirurgias no mesmo dia

Casal celebra 50 anos de amor e superação

O Dia dos Namorados sempre foi especial para Tereza Maria dos Santos Leite, de 70 anos, e Antônio Fernando Leite, de 73. Além do amor, eles comemoram o aniversário dele, em 12 de junho. Este ano, a data ganhou um motivo extra: a recuperação de cirurgias realizadas lado a lado.

Moradores de Itajubá (MG), o casal enfrentou um novo desafio em 14 de maio. Passaram por cirurgias no Hospital e Maternidade Santa Paula, em Pouso Alegre (MG), ficaram internados no mesmo quarto e dividiram a recuperação. “Depois que conheci o Fernando, essa data ganhou ainda mais significado. Já celebramos juntos há mais de 50 anos”, conta Tereza. Fernando lembra que a tradição nunca foi deixada de lado: “Todo ano ela faz um bolo em forma de coração para comemorar meu aniversário”.

Uma história de parceria

Casados desde 1975, eles namoraram por menos de um ano. A história começou em 1974, durante uma eleição. Tereza conhecia o irmão de Fernando e os dois se encontraram ao votar. A conversa deu início a uma relação que atravessou décadas. Desta vez, transformaram um desafio de saúde em demonstração de cumplicidade.

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Segundo a filha, Daniela Leite, Fernando passou por microcirurgia para tratamento de canal estreito e hérnia de disco, com artrodese lombar. Tereza foi submetida a uma rizotomia percutânea do nervo trigêmeo por radiofrequência, para aliviar dores da neuralgia. “Num momento de doença, foi um dos melhores momentos da nossa vida. Estar juntos nos deu força e tranquilidade”, resumiu Fernando. “Foi emocionante estar junto até nesse momento. Saber que ele estava ali me trouxe mais calma e coragem”, completou Tereza.

Bodas de ouro e renovação de votos

O casal namorou por pouco tempo e se casou em 27 de junho de 1975, na Igreja Matriz da Soledade, em Itajubá. No ano passado, voltaram ao mesmo altar para celebrar as bodas de ouro e renovar os votos. Ao longo de 50 anos, construíram uma história com filhos, netos e muitas lembranças. A cumplicidade ficou ainda mais evidente durante a internação.

Um desafio enfrentado juntos

A família sabia que os procedimentos ocorreriam em datas próximas, mas a confirmação de que seriam no mesmo dia causou apreensão. “Quando perguntaram se podia ser no mesmo dia, confesso que assustamos um pouco”, contou Daniela. “Ficamos apreensivos, mas também mais tranquilos por estarmos juntos”, lembrou Fernando.

O neurocirurgião Marcelo Massote de Toledo explicou que a situação é incomum. As cirurgias foram realizadas em sequência: primeiro a de Fernando, enquanto Tereza aguardava. “São situações raras na prática médica, mas tudo aconteceu com segurança”, afirmou. “Foi um misto de sensações. A preocupação com meu pai na cirurgia e os cuidados com minha mãe que aguardava. Só acabou a angústia quando chegamos em casa com os dois bem”, recordou Daniela.

O especialista disse que um dos procedimentos era mais complexo, determinando a ordem. Casais costumam optar por datas diferentes, mas como ambos teriam recuperação rápida e contavam com suporte familiar, foi possível realizar no mesmo dia. “O mais importante era saber que a gente estava ali um pelo outro”, disse Tereza.

Nem as grades separavam o casal

Desde a chegada ao hospital, os dois permaneceram no mesmo quarto, separando-se apenas durante as cirurgias. A situação chamou atenção da equipe médica. “Foi engraçado. Ele fazendo graça e ela brigando”, contou Daniela. “A gente tenta levar tudo com leveza, até nos momentos difíceis”, disse Fernando.

Durante a recuperação, um detalhe chamou a atenção: eles não gostavam quando as grades das camas eram levantadas, impedindo que se vissem. “A gente não queria ficar separado. Saber que ele estava ali do lado me dava mais calma”, contou Tereza.

De volta para casa

Atualmente, o casal se recupera em casa, em Itajubá, cercado de amor pela família. Daniela reorganizou a agenda do salão de beleza para acompanhar os pais. A filha dela ajudou nos cuidados após a alta. Outros parentes assumiram tarefas da casa e os cuidados com as cachorrinhas.

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Para Daniela, a experiência reforçou os laços construídos ao longo de décadas. “Eles já passaram por muitas dificuldades, mas continuam juntos, se amando e se respeitando”. A psicóloga Camila Thaynara dos Santos destacou que vínculos construídos ao longo de muitos anos fazem diferença em momentos delicados. “O suporte afetivo e familiar contribui para mais segurança e tranquilidade, especialmente na terceira idade”.

Mesmo diante do medo das cirurgias, Tereza e Fernando encontraram força na parceria de mais de meio século. Neste Dia dos Namorados, quando também celebram o aniversário dele, a data ganha um significado especial. “O apoio um do outro ajudou bastante. Eu só queria ir embora junto com ela”, disse Fernando. E foi exatamente assim que aconteceu.