Um vídeo viral nas redes sociais afirma que a vacina contra a covid-19 é a “mais letal que já foi produzida” e que as vacinas de RNA mensageiro seriam “terapias gênicas” relacionadas ao aumento de casos de câncer. O Estadão Verifica investigou e concluiu que essas afirmações são falsas.
Origem da desinformação
O vídeo foi gravado pelo médico Davi Rodrigues, que já foi desmentido anteriormente pelo Verifica. Ele cita o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., mas a fala de Kennedy é de 6 de dezembro de 2021, antes de ele assumir o cargo. Na ocasião, Kennedy afirmou que “mais pessoas morreram em oito meses por causa desta vacina do que por causa de 72 vacinas nos últimos 30 anos”. A fala foi amplamente refutada por agências de checagem como a PolitiFact.
Dados do Vaers não são evidência
Kennedy baseou sua alegação em dados do Sistema de Notificação de Eventos Adversos a Vacinas (Vaers), que permite que qualquer pessoa registre possíveis eventos adversos, sem verificação prévia. O próprio site do Vaers alerta que o número de registros não pode ser interpretado como evidência de associação causal. Segundo os dados mais recentes, foram notificadas 15 mil mortes de pessoas vacinadas contra a covid-19, mas os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA informaram que esses óbitos podem incluir atropelamentos e acidentes, sem relação comprovada com a vacina.
Vacinas de mRNA não são terapia gênica
O médico Davi Rodrigues também afirma que as vacinas de RNA mensageiro são “terapias gênicas” capazes de alterar o DNA. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) esclarece que as vacinas de mRNA são seguras e não provocam alterações genéticas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica que a terapia gênica utiliza material genético humano para tratar doenças genéticas, o que não é o caso das vacinas contra a covid-19. As vacinas de mRNA usam o código genético do vírus para induzir a resposta imunológica, sem modificar o DNA.
Não há relação com câncer
O vice-presidente da SBim, Renato Kfouri, afirma que o efeito observado das vacinas é positivo: “O que a gente viu foi a vacina reduzindo inflamações, infarto, doença coronariana”. Ele refuta a alegação de letalidade, lembrando que vacinas que provocam morte não são licenciadas. O Ministério da Saúde divulgou nota em abril de 2024 informando que o aumento de casos de câncer após a pandemia pode estar relacionado à diminuição de testes preventivos, e não às vacinas. “Os números seguem dentro do padrão histórico, com cerca de 600 mil casos anuais no País nos últimos anos, sem alta anormal após o início da vacinação”, informou a pasta.
Conclusão
Não há evidências científicas que sustentem as alegações de que as vacinas de mRNA contra a covid-19 sejam letais, causem câncer ou alterem o DNA. As afirmações são baseadas em interpretações equivocadas de dados e foram amplamente refutadas por autoridades de saúde e agências de checagem.



