A Toyota Mobility Foundation (TMF) selecionou São Carlos, no interior de São Paulo, para sediar seu primeiro programa na América Latina focado no desenvolvimento de tecnologias para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A TMF, organização criada pela montadora japonesa Toyota, atua no Brasil desde 2017 e promove discussões sobre mobilidade e acessibilidade.
Iniciativa vai selecionar startups
O programa gratuito busca startups que criem soluções para ampliar a autonomia, acessibilidade e qualidade de vida desse público. As inscrições estão abertas até 12 de julho, e as atividades começam em agosto. Serão selecionadas 10 startups por ano, que receberão mentorias e acompanhamento especializado por dois anos, além de conexão com fundos de investimento nacionais e internacionais voltados a tecnologia assistiva, mobilidade ativa e reabilitação. As startups também passarão por capacitações para se preparar para rodadas com investidores. O valor dos investimentos não foi divulgado.
Conexão com o Canadá
O programa será desenvolvido no Onovolab, em São Carlos, e terá ligação com um projeto semelhante em Toronto, no Canadá. A ideia é que as startups testem e aprimorem soluções com apoio de parceiros como a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e universidades, além de terem acesso a experiências e conexões internacionais. Segundo os organizadores, o objetivo é fortalecer São Carlos como referência em tecnologias assistivas na América Latina.
Por que São Carlos?
Ramon Rogado, gerente de Inovação Corporativa do Onovolab, explicou que a escolha considerou o ecossistema de inovação da cidade. “O município é um celeiro de talentos, impulsionado por universidades líderes como a USP e a UFSCar, que garantem suporte à pesquisa de ponta. Além disso, sua localização estratégica no coração de uma forte região industrial faz a ponte ideal entre o interior e a capital paulista, acessando recursos financeiros e grandes instituições de saúde, como a AACD”, afirmou. Outro fator foi a implantação do Centro de Referência Paralímpica (CRP) no campus da UFSCar, anunciada neste ano, que viabiliza conexão direta com a comunidade de pessoas com deficiência.
Tecnologias que podem participar
O foco são soluções que reduzam barreiras enfrentadas por pessoas com mobilidade reduzida, por deficiência, doença ou envelhecimento. Exemplos incluem aplicativos para baixa visão, luvas para reduzir tremores em Parkinson, dispositivos para prevenção de quedas em idosos, sensores para casas inteligentes e veículos e cadeiras de rodas adaptadas. A organização não informou quantas pessoas serão diretamente beneficiadas, mas destaca o impacto em larga escala, com soluções replicáveis no Brasil e em outros países da América Latina.
O Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, 7,3% da população com 2 anos ou mais, segundo o Censo 2022 divulgado em 2025 pelo IBGE. Em São Carlos, são cerca de 7,1 mil pessoas, conforme estimativa da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Paradesporto.



