O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) determinou o bloqueio de bens do prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), e da secretária municipal de Educação, devido a irregularidades em um contrato de transporte escolar. A decisão monocrática, assinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão nesta segunda-feira (24), prevê a indisponibilidade dos bens dos gestores por um ano, no valor de R$ 908 mil, como forma de garantir o ressarcimento de possíveis prejuízos aos cofres públicos.
Segundo o tribunal, a apuração teve início após uma denúncia e uma representação que apontaram problemas na contratação feita por meio do Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas). Entre as irregularidades identificadas estão falhas no planejamento, deficiência na pesquisa de preços e uso inadequado do modelo de contratação. A análise técnica também indicou indícios de superfaturamento, com destaque para o aumento expressivo da quilometragem prevista no contrato: enquanto o contrato anterior previa cerca de 3.634 quilômetros por dia, o novo passou a estimar mais de 9.400 quilômetros diários, um crescimento de 161% sem justificativa técnica.
De acordo com o TCE, esse aumento pode ter gerado um prejuízo de aproximadamente R$ 3,8 milhões entre setembro e dezembro de 2025. Em uma estimativa mais conservadora, o valor foi calculado em cerca de R$ 908 mil, montante utilizado como base para a decisão cautelar. Apesar das irregularidades, o contrato não foi suspenso, pois o tribunal considerou que o transporte escolar é um serviço essencial e que a interrupção poderia prejudicar estudantes da rede pública. O TCE determinou ainda que os responsáveis apresentem documentos como notas fiscais, mapas das rotas e comprovantes de quilometragem para continuidade da apuração.
Em publicações nas redes sociais e em entrevista à Inter TV dos Vales, o prefeito Coronel Sandro definiu as acusações como perseguição política e alegou estar sendo ameaçado, juntamente com a família, por um grupo de empresários da cidade. Até a última atualização desta reportagem, o g1 ainda aguardava o posicionamento oficial do prefeito sobre a decisão do TCE-MG, assim como a localização da defesa da secretária de Educação.
A contratação do transporte escolar também é alvo de investigação na Câmara Municipal de Governador Valadares. No início de março, os vereadores abriram uma comissão processante para apurar possíveis irregularidades no contrato. A denúncia foi aceita por 19 dos 21 parlamentares e foi apresentada por um empresário do setor de transportes, que questiona a forma de contratação do serviço. A comissão é formada por três vereadores e tem prazo de até 90 dias para concluir os trabalhos e emitir parecer.



