Crise na família Bolsonaro expõe dificuldade da direita em conquistar voto feminino
Crise na família Bolsonaro e o voto feminino

A crise na família Bolsonaro expõe a dificuldade da direita em conquistar o voto feminino, de acordo com cientistas políticos ouvidos pela reportagem. Pesquisas recentes indicam que a rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro é maior entre as mulheres, e os desentendimentos públicos com familiares agravam essa percepção.

Pesquisas mostram rejeição feminina

Levantamento do Datafolha de junho de 2025 aponta que 54% das mulheres avaliam o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo, contra 42% dos homens. A diferença se mantém em outros institutos, como o AtlasIntel, que registra 51% de rejeição feminina ao ex-presidente. Para a analista política Maria Cristina Fernandes, a imagem de Bolsonaro como 'machista' e 'autoritário' afasta as eleitoras.

“A direita precisa entender que o discurso agressivo e a falta de propostas para mulheres penaliza o campo conservador”, afirma Fernandes. A crise familiar exposta recentemente, com trocas de acusações entre Bolsonaro e seus filhos, reforça a instabilidade emocional associada ao clã.

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Impacto nas eleições de 2026

A dificuldade em atrair o voto feminino preocupa estrategistas da direita para as eleições presidenciais de 2026. Segundo o cientista político Carlos Melo, da USP, o eleitorado feminino é decisivo em segundo turno. “Sem conquistar ao menos 45% dos votos das mulheres, a direita terá dificuldade de vencer”, calcula.

Pesquisa AtlasIntel de julho de 2025 mostra que, em cenário de segundo turno entre um candidato da direita e um da esquerda, as mulheres tendem a preferir o nome de centro-esquerda por 48% a 38%. A diferença é maior entre jovens de 16 a 24 anos: 55% delas rejeitam a direita.

Estratégias para reverter o quadro

Lideranças da direita buscam reverter a imagem. O deputado Eduardo Bolsonaro afirmou em evento que o partido precisa “ouvir mais as mulheres” e apresentar pautas como segurança pública e educação. Já a senadora Damares Alves defende maior presença feminina em cargos de comando.

No entanto, especialistas apontam que a simples mudança de discurso não basta. “É preciso demonstrar compromisso com políticas de igualdade de gênero e combate à violência doméstica”, ressalta a socióloga Helena Hirata. A crise na família Bolsonaro, com episódios de agressão verbal e judicialização, dificulta essa aproximação.

Reações nas redes sociais

Nas redes sociais, a crise gerou memes e críticas. Hashtags como #BolsonaroMachista e #FamíliaBolsonaroEmCrise ficaram entre os trending topics no X (antigo Twitter) em 1º de julho de 2025. A exposição negativa pode consolidar a rejeição feminina, alertam analistas de comunicação política.

Para o estrategista digital Pedro Dória, a direita precisa de “um reboot na comunicação com mulheres”, focando em propostas concretas e evitando polêmicas familiares. “Cada briga pública é um presente para a esquerda”, conclui.

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