Suprema Corte amplia poder presidencial sobre agências, mas blinda Fed
Suprema Corte amplia poder presidencial, mas blinda Fed

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que o presidente pode demitir altos funcionários de agências reguladoras independentes, revertendo um precedente histórico que vigorava desde 1935. A decisão amplia os poderes do governo americano sobre órgãos que atuavam de forma autônoma há décadas.

Decisão permite demissão de diretora da FTC

O caso concreto que motivou a decisão foi a demissão de Rebecca Kelly Slaughter, diretora da Comissão Federal de Comércio (FTC), pelo presidente Donald Trump. A Corte considerou que as leis que limitavam as destituições de dirigentes de agências reguladoras são inconstitucionais, pois violam o poder executivo do presidente.

Segundo o voto majoritário, a Constituição confere ao presidente a autoridade de supervisionar todo o poder executivo, o que inclui a nomeação e a demissão de funcionários que exercem funções executivas. A decisão derruba o entendimento firmado no caso Humphrey's Executor v. United States (1935), que protegia certos cargos de agências reguladoras contra demissões arbitrárias.

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Fed permanece blindado contra interferência

Em uma segunda decisão, no entanto, a Corte blindou o Federal Reserve (Fed) de ingerência presidencial. Os ministros entenderam que o banco central americano possui características especiais que justificam sua independência, especialmente em relação à política monetária.

Com isso, a diretora do Fed, Lisa Cook, que enfrenta acusações de fraude, poderá permanecer no cargo enquanto contesta as alegações. A Corte considerou que a independência do Fed é essencial para a estabilidade econômica e que permitir demissões políticas poderia comprometer a credibilidade da instituição.

Impacto e reações

A decisão histórica deve ter amplos efeitos sobre o funcionamento de dezenas de agências federais, como a Securities and Exchange Commission (SEC), a Federal Communications Commission (FCC) e a National Labor Relations Board (NLRB). Especialistas apontam que a medida pode aumentar a politização desses órgãos e reduzir sua capacidade de atuação técnica.

O presidente Trump celebrou a decisão, afirmando que "agora o governo pode realmente governar". Já críticos alertam para o risco de abuso de poder e perseguição política. A oposição no Congresso promete apresentar projetos de lei para tentar restabelecer algum grau de proteção aos dirigentes das agências.

A decisão foi tomada em meio a um cenário de intenso debate sobre os limites do poder executivo e a separação dos poderes nos Estados Unidos.

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