A investigação da Polícia Federal que liga o senador Jaques Wagner (PT-BA) ao Banco Master provocou fissuras na chamada 'República da Bahia', grupo político próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, justamente às vésperas da campanha eleitoral. A operação coloca em risco a posição de Wagner como líder do governo no Senado, cargo que ocupa desde o início do terceiro mandato de Lula.
Aliados debatem permanência de Wagner na liderança
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o presidente deve receber o senador na quarta-feira para discutir uma possível saída de Wagner da liderança do governo no Senado. A reunião ocorre em meio a pressões de diferentes alas do PT e de partidos aliados, que temem que a investigação prejudique a articulação política do governo no Congresso.
Sidônio Palmeira, secretário de Comunicação da Presidência, teria sugerido a substituição de Wagner para evitar desgastes maiores. No entanto, a proposta enfrenta resistência de integrantes do núcleo duro do governo, que consideram Wagner um aliado leal e estratégico para a base governista na Bahia e no Senado.
Impacto na política baiana e nacional
A crise ocorre em um momento delicado para o PT na Bahia, estado governado por Jerônimo Rodrigues, também do partido. A 'República da Bahia' — expressão usada para designar a forte influência de políticos baianos no governo Lula — pode sofrer abalos significativos caso Wagner seja afastado da liderança. Além disso, a investigação da PF pode ter repercussões nas eleições municipais de 2026, já que Wagner é um dos principais articuladores do partido no Nordeste.
Procurados, a assessoria de Jaques Wagner e a Polícia Federal não comentaram o caso. O Banco Master também não se manifestou até o fechamento desta edição.



