O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de duras críticas em editorial do jornal O Globo, que o acusa de, em afã eleitoreiro, lançar álcool no incêndio fiscal. A coluna afirma que, ao acelerar gastos públicos, o governo se torna responsável pelo patamar sufocante dos juros, que incentiva a inadimplência.
Lançamento do Desenrola e contexto eleitoral
Na última segunda-feira, Lula lançou uma nova versão do programa Desenrola, que renegocia dívidas de consumidores. O evento, realizado no Palácio do Planalto, contou com a presença de ministros e parlamentares. Segundo o editorial, a medida tem claro caráter eleitoreiro, visando conquistar votos em um ano de eleições municipais.
Aceleração de gastos e impacto fiscal
O texto argumenta que o governo tem expandido despesas sem contrapartida de receitas, o que pressiona o déficit público. Com isso, o Banco Central é forçado a manter a taxa Selic em níveis elevados, atualmente em 13,75% ao ano, para conter a inflação. Juros altos, por sua vez, encarecem o crédito e elevam a inadimplência, especialmente entre as famílias de baixa renda.
O editorial cita dados do Tesouro Nacional: o déficit primário do governo central acumulado nos últimos 12 meses já ultrapassa R$ 100 bilhões. “A política fiscal expansionista contrasta com a necessidade de equilíbrio das contas públicas”, afirma o jornal.
Críticas à política econômica
Para O Globo, a estratégia de Lula repete erros de governos anteriores, que usaram o orçamento como instrumento de propaganda política. O resultado é o aumento da dívida pública e a perda de credibilidade do país junto a investidores. “Em vez de conter o fogo fiscal, o governo joga gasolina”, conclui o editorial.
Impacto sobre os mais pobres
A reportagem destaca que os mais afetados são os trabalhadores de baixa renda, que dependem de crédito para consumir e enfrentam taxas de juros proibitivas. A inadimplência entre as famílias com renda de até três salários mínimos subiu para 28,5% em maio, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio).
O editorial do Globo encerra afirmando que, sem responsabilidade fiscal, não há como garantir crescimento sustentável e proteção social. “O governo precisa escolher entre o curto prazo eleitoral e o futuro do país.”



