A Polícia Civil de Minas Gerais está à procura de um homem e uma mulher suspeitos de aplicar um golpe contra uma moradora de Inhapim, no Leste do estado, utilizando a suposta existência de uma entidade espiritual para obter vantagem financeira. O prejuízo patrimonial pode chegar a R$ 1 milhão, segundo as investigações.
Investigação começou em maio
O caso começou a ser investigado em 30 de maio, após a vítima, de 46 anos, procurar a polícia para denunciar o crime. Na segunda-feira (22), a operação Stelios cumpriu mandados de busca e apreensão em Ubaporanga. Segundo o delegado Sávio Moraes, os policiais estiveram em um imóvel onde mora a sogra da investigada. No local, apreenderam geladeira, fogão, camas, lustres, armários e outros bens novos que, conforme a investigação, teriam sido comprados pela suspeita.
Como o golpe teria sido aplicado
Segundo a Polícia Civil, a investigada se aproximou da vítima, que era vizinha do casal, e conquistou a confiança da mulher ao longo do tempo. A relação ficou ainda mais próxima quando ela foi convidada para ser madrinha do filho dos suspeitos. Ainda conforme a investigação, a suspeita passou a dizer que conhecia uma curandeira chamada “Dona Divina”, que poderia ajudar a vítima em questões relacionadas à saúde, à proteção da família e à prosperidade. A partir disso, a mulher teria sido convencida a fazer transferências bancárias, contratar empréstimos e comprar diversos bens em benefício dos investigados. De acordo com a polícia, os pedidos eram justificados pela necessidade de custear sessões de curandeirismo ou adquirir objetos supostamente solicitados durante esses trabalhos.
O delegado Sávio Moraes afirmou que “a suspeita era vizinha da vítima e, após estabelecer uma relação de confiança, iniciou um processo ardiloso destinado à obtenção de vantagem ilícita”.
Prejuízo de até R$ 1 milhão
Os levantamentos da Polícia Civil indicam que os recursos obtidos no esquema investigado teriam sido usados para comprar veículo, celulares, joias, móveis, eletrodomésticos e outros produtos. Segundo a investigação, o prejuízo causado à vítima pode variar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, considerando também empréstimos e encargos financeiros. A polícia apurou ainda que os suspeitos realizaram, em 17 de maio, uma festa de aniversário para o filho de 1 ano em uma casa de eventos em Ipatinga. Presentes como pulseiras e anéis de ouro, kits de perfumaria e cafeteiras elétricas foram distribuídos aos convidados. De acordo com Sávio Moraes, algumas pessoas que receberam esses itens prestaram depoimento e entregaram voluntariamente os objetos à Polícia Civil.
Fotos divulgadas e apelo à população
Durante coletiva de imprensa, o delegado informou que os investigados não se apresentaram para cumprir os mandados de prisão preventiva. Diante disso, a Polícia Civil divulgou as fotos dos investigados e pediu que a população repasse informações que possam ajudar nas buscas. “Essa divulgação da foto do procurado não é uma divulgação feita simplesmente para mostrar a foto dos investigados. Muito pelo contrário. Ela tem por objetivo cumprir os mandados de prisão expedidos, para garantir a aplicação da lei penal, mas também, devido à própria natureza do crime, para que pessoas que tenham sido vítimas [...] possam vir a denunciar”, afirmou. A Polícia Civil informou que denúncias sobre o paradeiro dos investigados ou informações relacionadas ao caso podem ser feitas, de forma anônima, pelos telefones 181, 190 ou 197.



