Ex-delegado federal condenado a 14 anos por corrupção e lavagem de dinheiro
Ex-delegado condenado a 14 anos por corrupção e lavagem

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o ex-delegado da Polícia Federal Wallace Noble a 14 anos, 6 meses e 15 dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A sentença, proferida pela juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também impõe o pagamento de 341 dias-multa, totalizando R$ 130 mil. A decisão é de 8 de junho e Wallace Noble poderá recorrer em liberdade. O g1 busca contato com a defesa do ex-delegado.

Esquema de propina e arquivamento de inquérito

De acordo com as investigações, entre novembro de 2016 e abril de 2017, Wallace Noble recebeu R$ 480 mil para atuar em favor de empresários na condução de um inquérito que investigava duas empresas por suspeita de fraude à licitação, na Delegacia da PF em Volta Redonda, Sul Fluminense. O objetivo era viabilizar o arquivamento do caso. A partir de maio de 2017 até agosto de 2018, o delegado passou a receber uma mesada de R$ 5 mil de um empresário. Posteriormente, os valores foram substituídos pela cessão de um imóvel da família do empresário, onde Wallace passou a residir sem pagar aluguel a partir de 23 de agosto. O Ministério Público Federal (MPF) considerou que a troca da propina pelo imóvel visava ocultar o benefício e dificultar a investigação.

Atuação em mandado de busca e apreensão

Em 4 de julho de 2018, Wallace Noble foi convocado para cumprir um mandado de busca e apreensão contra uma empresária investigada pela Delegacia de Crime Organizado da PF. Após a ação, ele procurou os investigados e prometeu usar seu cargo para influenciar o inquérito, mesmo não sendo o delegado responsável. Pelo serviço, recebeu R$ 930 mil entre julho e dezembro de 2018. Em setembro de 2023, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, demitiu Wallace Noble, que estava lotado na PF do Rio de Janeiro.

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Ocultação de patrimônio e notas fiscais falsas

A juíza Caroline Figueiredo destacou que o patrimônio ocultado por Wallace Noble teve origem em crimes anteriores de corrupção. A partir de 2016, o ex-policial ocultou a aplicação de pelo menos R$ 92,9 mil em uma academia da qual era sócio, registrando as quotas em nome de sua então companheira para esconder sua participação. Ele também adquiriu um veículo com pagamentos mensais de R$ 10 mil, totalizando R$ 130 mil, sem justificativa de renda. Para dar aparência de legalidade, foram emitidas notas fiscais e promissórias falsas, incluindo 40 notas promissórias. O MPF afirmou que a investigação encontrou "agentes públicos envolvidos – em razão da função exercida na condução de inquéritos policiais em curso naquela Superintendência – em evitar que as apurações em tramitação alcançassem os empresários que aceitassem efetuar o pagamento de valores vultuosos de propina para o grupo criminoso". Wallace Noble foi preso em outubro de 2020 e agora responde em liberdade até o julgamento de recursos.

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