A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) acusou o próprio partido de ter feito um acordo para destinar R$ 30 milhões do fundo eleitoral a candidatos brancos, em detrimento de candidatos negros. A declaração foi feita durante uma reunião da executiva nacional da legenda, na última quinta-feira (18).
Acordo interno e críticas
Segundo Hilton, o acordo teria sido costurado para beneficiar candidatos à Câmara dos Deputados, priorizando nomes brancos em detrimento dos negros. A deputada afirmou que a cúpula do partido teria definido que os R$ 30 milhões seriam divididos entre candidatos brancos, deixando de lado a diversidade racial que o Psol prega. "É inaceitável que um partido que se diz antirracista repita práticas históricas de exclusão", disse Hilton, em discurso gravado e divulgado por aliados.
Reação da legenda
A executiva do Psol negou a acusação. Em nota, o partido afirmou que "não houve qualquer acordo para privilegiar candidatos brancos" e que a distribuição do fundo eleitoral segue critérios definidos coletivamente. A legenda também destacou que Hilton é uma das principais lideranças negras e que suas declarações são "infundadas". A deputada, no entanto, manteve a crítica e cobrou transparência na divisão dos recursos.
Impacto e contexto
O caso expõe tensões internas no Psol, que tem no discurso antirracista uma de suas bandeiras. Hilton é uma das vozes mais ativas na defesa de cotas e reparações históricas. A acusação ganhou repercussão nas redes sociais, com militantes pedindo investigação. O fundo eleitoral de 2026 é estimado em R$ 5 bilhões, e partidos têm até junho para definir a distribuição. A polêmica ocorre em meio à corrida eleitoral, onde a representatividade racial é tema central.



