CPI do São Roque Prev ouve ex-diretor; depoimentos continuam
CPI do São Roque Prev ouve ex-diretor; depoimentos seguem

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master, instaurada na Câmara Municipal de São Roque (SP), realizou nesta quinta-feira (18) a décima sessão de depoimentos. O ex-diretor do São Roque Prev, instituto de previdência dos servidores municipais, prestou esclarecimentos sobre a aplicação de mais de R$ 90 milhões no banco que foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Vanderlei Massarioli, ex-presidente do São Roque Prev, compareceu à CPI acompanhado por três advogados. Em sua primeira participação, que durou cerca de uma hora e meia, ele negou ter tido contato direto com qualquer funcionário do Banco Master durante o processo de investimento. Segundo ele, todo o trâmite foi realizado por intermédio de uma consultoria de investimentos, que fez a ponte entre o instituto e o banco liquidado.

Massarioli afirmou que foram solicitados relatórios à empresa contratada para prestar assessoria financeira ao município antes da aplicação do dinheiro. Ele disse que, se houvesse qualquer negativa ou aviso de problema em relação ao banco, a aplicação não teria sido feita. A sessão foi acompanhada por vários servidores e é considerada a mais importante desde o início da CPI. As aplicações ocorreram entre 2024 e 2026.

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Sem depoimento de Vorcaro

No começo do mês, a Polícia Federal negou a possibilidade de depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à CPI. Vorcaro está preso. A negativa foi informada durante a sétima reunião dos vereadores que investigam o caso. De acordo com os parlamentares, a PF comunicou a decisão por e-mail. Agora, a tentativa de ouvir o banqueiro será feita via Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros depoimentos

Entre os ouvidos em oitivas anteriores está Lizete de Fátima, membra do Conselho Deliberativo do São Roque Previ. Ela disse em depoimento que não se recordava de ter assinado duas atas do instituto: uma que autorizava os investimentos e outra que falava sobre os riscos. Ambas as atas foram apresentadas a ela durante a oitiva, e ela afirmou recordar apenas da que dava aval para os investimentos, que mencionava não haver riscos. Rosana Teixeira, que também fazia parte do instituto na ocasião, deveria prestar depoimento. Os trabalhos foram retomados após uma semana de pausa e devem continuar por pelo menos mais duas semanas.

Decisão baseada em recomendação

Em outra oitiva, Solange Siqueira Duarte Silva, que fazia parte do conselho em 2024, ano dos investimentos, afirmou que uma consultoria apresentou um comparativo mostrando que o Banco Master poderia render um lucro maior para o instituto, o que justificou as sete aplicações feitas em um intervalo de seis meses.

O que a CPI está investigando?

A CPI foi aberta após a crise do Banco Master, que culminou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado e na prisão de Daniel Vorcaro. Com a liquidação, todas as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maioria dos clientes recebeu ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro do limite previsto em lei.

A investigação foca na aplicação de recursos do fundo de previdência dos servidores municipais. O objetivo é entender por que foram feitos investimentos de alto risco em instituições que já apresentavam problemas. Os principais pontos são:

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  • Investimentos suspeitos: compra de R$ 93 milhões em Letras Financeiras do Banco Master;
  • Possível conflito de interesses: atuação de uma empresa de consultoria (Crédito & Mercado) que, ao mesmo tempo, realizava pareceres técnicos legais e era responsável por implantar normas de boa gestão;
  • Suspeita de adulteração de ata: existência de duas versões de uma ata de reunião do Comitê de Investimentos, com conclusões opostas sobre a avaliação de risco do Banco Master;
  • Movimentações atípicas: operações de aplicação e resgate de milhões de reais feitas no mesmo dia, com movimentação bruta que chegou a R$ 446 milhões em um único mês (agosto de 2024).