Câmara retira escolta de deputada do PSOL após recuo de Hugo Motta
Câmara retira escolta de deputada do PSOL

A Câmara dos Deputados retirou novamente a escolta policial da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), recuar da decisão tomada na véspera que havia restabelecido a proteção. O episódio marca mais um capítulo na disputa entre a Mesa Diretora e a parlamentar sobre a segurança oferecida a ela.

Decisão inicial e reviravolta

Na segunda-feira (27), Hugo Motta havia determinado que a escolta fosse restabelecida, após a deputada relatar ameaças e pedir proteção. No entanto, nesta terça-feira (28), a Secretaria-Geral da Mesa informou que a medida foi suspensa, alegando que a decisão de Motta foi tomada sem o devido respaldo jurídico. A assessoria do presidente afirmou que ele "reavaliou a situação" e concluiu que a escolta não se justificava nos termos regimentais.

Reação da deputada

Sâmia Bomfim criticou a reviravolta, classificando-a como "um desrespeito à segurança de uma parlamentar". Em nota, ela afirmou: "A decisão de Hugo Motta de retirar minha escolta mostra que a Câmara não leva a sério as ameaças que sofremos, especialmente mulheres negras e LGBTs na política." A deputada informou que já solicitou reunião com o presidente para discutir o caso.

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Contexto de segurança

A deputada do PSOL já havia tido a escolta retirada em fevereiro, sob a justificativa de que a proteção policial seria desnecessária. Desde então, ela vem cobrando a reinstalação da segurança, citando o aumento de ameaças nas redes sociais. Dados da Câmara indicam que, em 2025, foram registrados 42 pedidos de escolta por parlamentares, dos quais 12 foram negados. O caso de Sâmia Bomfim é um dos que gerou maior controvérsia.

Posicionamento da Mesa Diretora

A Mesa Diretora, em nota, afirmou que "a segurança dos parlamentares é tratada com seriedade, mas deve seguir critérios técnicos e regimentais". A nota acrescenta que "a decisão de retirar a escolta foi baseada em parecer da consultoria jurídica, que apontou a ausência de risco iminente". No entanto, a deputada contesta: "O parecer ignorou as ameaças explícitas que recebi, inclusive com ataques misóginos e racistas."

Impacto político

O episódio reacende o debate sobre a segurança de parlamentares no Brasil, especialmente de minorias políticas. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional Brasil, manifestaram preocupação. Em nota, a entidade disse que "a retirada da escolta de uma deputada ameaçada é um sinal alarmante de desproteção institucional". A oposição também criticou a decisão, com lideranças do PT e do PSOL prometendo levar o caso ao Conselho de Ética.

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