Zé Ibarra e Tim Bernardes desafiam algoritmo com foco em álbuns
Zé Ibarra e Tim Bernardes focam em álbuns contra algoritmo

Zé Ibarra mantém há um ano o foco no segundo álbum solo, 'Afim', lançado em junho de 2025. O cantor, compositor e músico carioca tem investido em shows cada vez mais concorridos no Brasil e na Europa, além de ter captado o show 'Afim' em 11 de junho no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, para um registro audiovisual.

A regra do algoritmo na indústria fonográfica

Há uma lei em vigor na indústria fonográfica, sobretudo nas gravadoras multinacionais, que determina que artistas têm que estar sempre apresentando conteúdos novos – sejam singles, EPs ou registros ao vivo de shows – com intervalos cada vez menores entre um lançamento e outro. O objetivo é alimentar sempre o algoritmo em torno daquele artista. Essa lógica ignora que lançamentos fonográficos irrelevantes e/ou redundantes acabam diluindo a força da obra e da discografia desse artista.

Dois artistas que desafiam a regra

Há dois artistas da cena indie brasileira que desafiaram essa regra e, em vez de ficarem inventando moda, apostaram a longo prazo nos álbuns. E colhem os frutos desse investimento focado. Trata-se de Tim Bernardes e de Zé Ibarra. Ambos são cantores, compositores e músicos que vêm se fortalecendo no universo pop, inclusive ampliando os respectivos públicos, sem a necessidade de inventar lançamento a toda hora.

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Tim Bernardes: quatro anos dedicados a 'Mil coisas invisíveis'

Tim Bernardes lançou o segundo álbum solo em junho de 2022, “Mil coisas invisíveis”, e desde então apresentou somente um single, “Praga / Prudência”, em abril de 2025, investindo no show do álbum em turnê que somente agora se aproxima do fim, quatro anos após a edição do disco. A procura por shows de Tim tem sido cada vez mais intensa, indicando que há um público que não se alimenta de algoritmo, que busca artistas com obras mais consistentes.

Zé Ibarra e o ciclo longo de 'Afim'

Zé Ibarra tem investido no segundo álbum solo, “Afim”, lançado em junho de 2025. Ele até se rendeu aos álbuns audiovisuais, tendo captado o show “Afim” há um mês em apresentação no Teatro Carlos Gomes. A questão é que Zé jamais tirou o foco do álbum, mesmo tendo lançado em março um single ao vivo, “Afeto”, com abordagem de música de Mayra Andrade. Tanto Zé Ibarra quanto Tim Bernardes parecem entender que o ciclo de um álbum é longo e exige dedicação exclusiva para que o trabalho dê frutos.

Resultado: álbuns marcantes do século XXI

O resultado é que ambos consolidaram os respectivos álbuns como títulos marcantes da discografia brasileira do século XXI. “Mil coisas invisíveis” e “Afim” são álbuns que não ficaram velhos ou esquecidos dois ou três meses após os respectivos lançamentos, como geralmente acontece, pois tem muita gente que ainda se recusa a ser moldada pelo algoritmo.

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