O vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reclamando do tratamento recebido do enteado, senador Flávio Bolsonaro, gerou repercussão política. Para o colunista Fernando Schüler, do Estadão, o episódio é um “não acontecimento” em termos de relevância política, mas serve como um teste crucial para a liderança de Flávio na pré-campanha presidencial.
Desavença familiar conhecida
Schüler destacou que a desavença na família Bolsonaro é antiga, com um mal-estar na relação de Michelle com os filhos de Jair Bolsonaro. Ele mencionou uma “pequena divergência” sobre a chapa da direita no Ceará, envolvendo apoio ou não a Ciro Gomes e a composição da chapa ao Senado, mas classificou o fato como “irrelevante”.
Teste de liderança para Flávio
O verdadeiro significado do episódio, segundo Schüler, é testar a capacidade de liderança de Flávio Bolsonaro. “O rescaldo disso é um só: um teste à capacidade de liderança do Flávio Bolsonaro na pré-campanha”, afirmou. Ele lembrou que a candidatura de Flávio sempre foi contestada dentro do campo da direita, com muitos defendendo o nome de Tarcísio de Freitas ou outra alternativa.
Schüler citou que revelações anteriores, como pedidos de dinheiro para o ex-assessor Fabrício Vorcaro, aprofundaram o sentimento de contestação. “Mais do que tudo, há uma questão anterior: Flávio como senador relativamente jovem, uma biografia pessoal modesta, basicamente candidato por desejo do pai, expressando mais o sobrenome do que a sua própria biografia”, disse.
Desafios de coesão política
O colunista apontou que o teste de liderança envolve reunificar o próprio campo político, oferecer credibilidade à candidatura para os partidos do centrão que o apoiam, disciplinar a atuação do irmão Eduardo Bolsonaro (que está no exterior e compra brigas com o deputado Nikolas Ferreira) e outros líderes da direita. “Existe um trabalho de coesão política no campo da oposição que cabe ao candidato realizar, como o Lula faz no campo governista e faz muito bem há muito tempo”, concluiu Schüler.



