O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) compartilham um problema: a indefinição sobre o palanque em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil. No PT, a situação se agravou após o senador Rodrigo Pacheco (PSB) recusar o convite de Lula para disputar o governo estadual. O partido decidiu lançar candidatura própria, mas enfrenta resistência interna.
Marília Campos resiste à pressão de Lula
Lula pediu ao presidente do PT, Edinho Silva, que vá a Minas Gerais neste final de semana para convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), a trocar a candidatura ao Senado pela de governadora. Marília, porém, tem manifestado publicamente que não quer a mudança. Aliados avaliam que disputar o Executivo seria “ir para o sacrifício”, devido ao desgaste da gestão de Fernando Pimentel (PT), que atrasou salários e repasses.
Na semana passada, Marília não participou de dois eventos de Lula em Belo Horizonte e Divinópolis, ausência interpretada como sinal de insatisfação. Um dia após reunião de Lula com deputados mineiros que reforçaram a candidatura própria, ela classificou a estratégia como “equívoco” e defendeu apoio a outro partido. “Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros”, declarou.
PL aposta em Cleitinho, mas prazo se esgota
No PL, a esperança está no senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que adiou a decisão sobre a candidatura ao governo para depois da Copa do Mundo, que termina em 19 de julho. O prazo para convenções partidárias é 5 de agosto. “Não vou tratar de eleição agora. Depois da Copa vocês me chamam”, afirmou Cleitinho. O presidente do PL de Minas, deputado Zé Vitor, é taxativo: “A opção é Cleitinho”. Alternativas como Vittorio Mediolli e Flávio Roscoe são citadas, mas a prioridade é o senador.
Cleitinho e Flávio Bolsonaro se encontraram em Patos de Minas, e o senador teria pedido 10 dias para decidir, prazo já vencido. Flávio aguarda a definição.
Alternativas e alianças em discussão
Marília Campos defende uma “aliança ampla” com PSB, PDT e MDB, que já têm pré-candidatos. Ela se aproximou do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), que se reuniu com Edinho Silva, mas enfrenta resistência de petistas por seu histórico tucano e apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. Aliados minimizam e lembram a aliança de Lula com Geraldo Alckmin.
Outra opção é apoiar um candidato do PSB, como o ex-procurador Jarbas Soares ou o empresário Josué Gomes. Também foi cogitada a reedição da aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), palanque de Lula em 2022, mas as conversas não avançaram após atritos na campanha passada.



