Centro de reabilitação do Ibama é fechado após surto de tuberculose
Uma onça-parda resgatada de um cativeiro irregular na favela do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, está entre os 989 animais acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Rio de Janeiro (Cetas-RJ), unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que foi fechada por um surto de tuberculose. O felino, que consome seis quilos de carne por dia, é um dos animais listados em um acordo judicial que aguarda destinação definitiva, buscada pelo Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea-RJ).
Surto de tuberculose e suspensão de atividades
O Cetas-RJ teve suas atividades suspensas após a confirmação de um surto de tuberculose que resultou na morte de três macacos-prego. A unidade, que desempenha papel crucial na reabilitação e destinação de fauna silvestre no estado, está impedida de receber novos animais ou realizar solturas desde então. A medida, adotada por questões sanitárias, gerou um impasse jurídico e administrativo, já que muitos animais aguardam há meses uma definição sobre seu futuro.
Onça-parda: um dos casos emblemáticos
A onça-parda (Puma concolor) resgatada no Pavão-Pavãozinho é um dos casos mais emblemáticos do centro. O animal vivia em cativeiro doméstico, situação ilegal, e foi encaminhado ao Cetas-RJ para reabilitação. Segundo o Ibama, o felino está saudável e bem alimentado, consumindo seis quilos de carne diariamente. No entanto, com o fechamento do centro, a onça não pode ser transferida para um destino adequado, como um zoológico ou santuário, até que a situação sanitária seja resolvida.
Acordo judicial e indefinição
A situação dos animais do Cetas-RJ é objeto de um acordo judicial que envolve o Ibama, o Inea-RJ e o Ministério Público. O acordo prevê a destinação dos 989 animais para outras unidades ou instituições, mas a burocracia e a falta de vagas em outros centros de triagem têm atrasado o processo. O Inea-RJ busca alternativas, como parcerias com zoológicos e santuários particulares, mas ainda não há prazo para a conclusão das transferências.
Impacto na fauna silvestre e necessidade de solução
O fechamento do Cetas-RJ representa um duro golpe para a proteção da fauna silvestre no estado do Rio de Janeiro. Sem a unidade, animais resgatados de tráfico, cativeiro ilegal ou atropelamentos ficam sem local adequado para tratamento e reabilitação. Especialistas alertam que a demora na solução pode levar à superlotação de outros centros e ao agravamento de problemas sanitários. A tuberculose, doença que pode ser transmitida entre animais e também para humanos, exige cuidados rigorosos e isolamento dos infectados.
Medidas em andamento
O Ibama informou que está adotando todas as medidas sanitárias necessárias para conter o surto, incluindo a desinfecção das instalações e o monitoramento constante dos animais. Paralelamente, negocia com o Inea-RJ e outras instituições para viabilizar a transferência dos animais o mais rápido possível. Enquanto isso, a onça-parda e os demais animais do Cetas-RJ continuam aguardando uma solução definitiva, em meio a um impasse que expõe as fragilidades do sistema de proteção à fauna silvestre no Brasil.



