A Justiça Federal determinou nesta terça-feira (7) a soltura de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela estava presa desde a última sexta-feira (3) na Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um esquema de lavagem de dinheiro para traficantes da facção. A decisão da 7ª Vara Criminal Federal revogou as prisões temporárias de todos os sete detidos na operação.
Prisões preventivas decretadas
No mesmo despacho, a Justiça decretou a prisão preventiva de três investigados que não haviam sido localizados: Victor Henrique de Oliveira Shimada, Amauri Henrique de Oliveira e Ygor Fokin Saviolli. Victor Shimada, empresário sancionado na semana passada pelos EUA, é apontado como uma espécie de "doleiro moderno" que teria utilizado mais de 70 empresas para movimentar recursos ilícitos. Amauri, pai de Stella e tio de Shimada, é acusado de fornecer apoio logístico, incluindo transporte e recolhimento de dinheiro em espécie. Ygor Saviolli é apontado como líder da organização, responsável pela coordenação logística e controle financeiro; ele foi preso no início do ano pelo FBI em um aeroporto da Flórida.
Defesa de Stella se manifesta
Em nota, a defesa de Stella informou que a decisão deve ser cumprida ainda hoje e que, "em respeito ao segredo de justiça que recai sobre a investigação, não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos."
Detalhes da Operação Exchange
A Operação Exchange foi deflagrada na semana passada para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos do tráfico internacional de drogas por meio de empresas, contas bancárias, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptomoedas. A PF cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços na capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi determinado o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante de R$ 10,4 bilhões.
Métodos de lavagem de dinheiro
Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para movimentar recursos ilícitos, incluindo: transferências de criptoativos; transporte de valores, inclusive em espécie; operações bancárias de alto valor; repasses entre pessoas físicas e jurídicas; e outras atividades financeiras voltadas à ocultação da origem do dinheiro. A suspeita é que a estrutura tenha sido usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Em tese, os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Sanções dos EUA e apelidos
Na quarta-feira (1º), Victor Shimada foi incluído na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA, que o classifica como "elo-chave" entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Os EUA afirmam que Shimada teria ajudado a lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos, usando criptomoedas para transferir valores ao Brasil. Stella também foi sancionada, apontada como colaboradora de Shimada e responsável por apoio logístico à coleta de grandes quantias em dinheiro. Para despistar autoridades, os dois usavam apelidos: Shimada era "o Japa"; Stella, "Lara Croft".
Defesa de Shimada nega acusações
Em nota, o advogado de Shimada, Yuri Cruz, disse que "Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro" e que a defesa tomará as medidas cabíveis após acesso aos autos.



