Jonas Donizette defende PSB equilibrado e vê fragmentação de votos
Jonas Donizette defende PSB equilibrado e vê fragmentação

O deputado federal Jonas Donizette (PSB) afirmou nesta quarta-feira (16) que a polarização partidária e a internet causaram mudanças no eleitorado, com fragmentação de votos. Líder do partido na Câmara dos Deputados, Jonas também defendeu que o PSB, base do governo Lula, seja um partido "equilibrado".

Posição política e voto na dosimetria

"O PSB, eu mesmo defendo que ele seja um partido que acolha opiniões políticas diversas. Eu sou uma pessoa de centro, eu nunca fui uma pessoa identificada como esquerda", disse. Apesar de fazer parte da base de Lula e ter sido vice-líder de governo na Câmara, Jonas votou a favor do projeto de lei da dosimetria, que beneficiou, com redução de pena, o ex-presidente Jair Bolsonaro e parte dos condenados pelo ato golpista de 8 de janeiro.

"Eu fui o único do meu partido que votei a favor da dosimetria e não tive do meu partido qualquer tipo de reprimenda. Por quê? Porque realmente eu acho que aquele ato de 8 de janeiro foi um ato grave, atentou contra a democracia. Mas eu vi ali pessoas que fizeram o chamado comportamento de manada. [...] Então eu achei que teve penas muito duras ali para pessoas que cometeram delitos, deveriam pagar, e votei pelo senso comum da Justiça".

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Mudança no eleitorado

Jonas, que deu entrevista em Campinas (SP) nesta quarta, foi eleito em 2022 com 84.044 votos e é um dos quatro deputados federais da região. Dentre estes eleitos, foi o que reuniu o menor número de votos no pleito há quatro anos. Ao comentar o número de votos, considerou como "uma vitória de 1 a 0", mas alegou que fez uma campanha curta naquela eleição. Também associou o resultado à polarização política e à fragmentação do voto causada, segundo ele, em parte pelo advento da internet.

"Eu sempre fui adversário do PT. As duas eleições de prefeito que eu ganhei e também as duas do Dário, nós derrotamos o PT. E a nível federal o meu partido se aliou. Então tem eleitor que não compreende isso. Eu tenho muitos amigos que alguns votaram em mim, contentes, outros ficaram descontentes. Então, você tem uma perda de votos por causa dessa polarização", afirmou.

O deputado tentará a reeleição neste ano e aposta no diálogo com a população para aumentar o eleitorado. "Na minha primeira eleição para deputado federal, eu tive 160 mil votos antes de ser prefeito. Mas era outra realidade. A realidade que se impõe hoje é uma realidade em que a fragmentação do voto é muito, muito grande".

"Se você pegar o número de candidatos que teve votos aqui em Campinas, é enorme. E isso daí sempre tira um pouquinho de voto daqueles que sempre eram os mais votados", analisou.

PSB em 2030?

Para o deputado, a saída das eleições 2026 pode ser benéfica para o PSB e, se o cenário desenhado se consolidar, a sigla avalia lançar candidato a presidente em 2030. "E eu vejo o PSB saindo, vamos dizer assim, pós-Lula, pós-Bolsonaro. Eu tenho dito que essa eleição, que é a eleição de 2026, deve ser a última eleição que o Lula disputa e possivelmente o Bolsonaro também não terá um novo pleito para disputar. Eu acho que vai ter um grande rearranjo de forças no Brasil", disse.

"E eu acho que nesse rearranjo de forças o PSB terá condições de disputar a presidência da República [...] Obtendo esse sucesso nesse momento agora, nós pensaremos depois num projeto próprio para o Brasil, para disputar a presidência da República", completou.

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