Flávio Bolsonaro enfrenta crise familiar e política em pré-campanha
Flávio Bolsonaro: crise familiar e política na pré-campanha

O senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise que vai além das desavenças familiares. Após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgar um vídeo criticando o enteado por desrespeitar mulheres, Flávio tentou amenizar a situação, declarando que o episódio é “página virada”. No entanto, o histórico de brigas na família Bolsonaro, que misturam questões pessoais e disputas por poder, sugere que a trégua pode ser temporária.

Problemas políticos se acumulam

O verdadeiro desafio de Flávio não se limita às ambições políticas de Michelle ou ao controle dos irmãos Eduardo e Carlos, que podem gerar fatos negativos para a campanha. O senador enfrenta dificuldades em superar escândalos passados, como as revelações sobre seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro para pedir dinheiro para um filme sobre Jair Bolsonaro, quando Vorcaro já era investigado por fraude financeira. Esse episódio ainda não foi superado.

Outro ponto sensível é a visita de Flávio ao presidente Donald Trump e a atuação de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos, ambas associadas a decisões do governo americano contrárias aos interesses econômicos do Brasil. Esses fatos continuam a prejudicar a imagem do pré-candidato.

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Tentativa de mudar de assunto

Na tentativa de se desvencilhar dessas polêmicas, Flávio inscreveu-se para apresentar argumentos contra a taxação de produtos brasileiros em uma audiência pública no Escritório Comercial americano. No entanto, sua participação é vista como inadequada, já que o evento é normalmente frequentado por representantes técnicos de empresas e associações setoriais. Especialistas temem que sua presença atrapalhe a estratégia dos diplomatas e especialistas.

Há ainda o risco de que Flávio busque obter concessões políticas do governo americano, como uma desistência ou adiamento do novo tarifaço, para usar como conquista diplomática na campanha contra Lula. O secretário de Estado Marco Rubio já registrou por escrito uma “oferta generosa” de Flávio de “colocar uma equipe de transição” à disposição do governo americano caso o bolsonarismo retorne ao poder no Brasil.

Falta o 'efeito Teflon' de Jair

Diferente do pai, Jair Bolsonaro, que mantinha apoio popular mesmo após declarações polêmicas ou escândalos, Flávio não possui o chamado “efeito Teflon”. Enquanto Jair podia enaltecer torturadores, minimizar a gravidade do estupro, fazer pouco caso das mortes por covid-19, receber joias de governos estrangeiros ou ignorar o orçamento secreto sem grandes danos à sua imagem, Flávio não consegue se livrar das críticas com a mesma facilidade.

O carisma não é hereditário, e Jair, em prisão domiciliar, está isolado da arena pública e não pode ajudar o filho. Se Flávio for derrotado nas eleições, seus aliados podem culpar Michelle, mas o verdadeiro responsável seria o próprio Jair, que preferiu um sucessor do seu sangue a apostar no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que possui menos escândalos em seu histórico.

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