A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) acusou publicamente o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de descumprir acordos internos sobre a distribuição de recursos para as campanhas eleitorais, o que estaria inviabilizando sua candidatura e a de outros integrantes da sigla. Em declarações à imprensa, Hilton questionou os critérios adotados para o financiamento das campanhas e comparou o valor a ser recebido por ela com a verba prevista para outros nomes do partido.
Acordos descumpridos e recursos desiguais
Segundo a parlamentar, o PSOL teria 'rasgado' os entendimentos previamente estabelecidos sobre a alocação de recursos, resultando em uma distribuição desigual que prejudica candidaturas de membros que permaneceram no partido para fortalecer suas bancadas. Hilton destacou que, apesar de sua contribuição para a legenda, o apoio financeiro recebido é insuficiente para cobrir as necessidades básicas de campanha, como estrutura logística e segurança.
Erika Hilton, que é a primeira deputada federal travesti e negra do Brasil, enfatizou que sua condição exige cuidados especiais de segurança, mas o partido não tem fornecido o suporte adequado. "A gente precisa de uma estrutura que garanta a nossa integridade física, mas o PSOL não está oferecendo isso", afirmou.
Críticas à política de inclusão do PSOL
A deputada também criticou a política de inclusão do partido, que, segundo ela, foi desmantelada, prejudicando critérios de gênero, raça e pessoas com deficiência (PCD). Hilton argumentou que o PSOL, que se apresenta como uma legenda progressista, deveria dar o exemplo na promoção da diversidade, mas na prática estaria reproduzindo desigualdades.
"O partido tem um discurso bonito, mas na hora de distribuir os recursos, os critérios de gênero, raça e PCD são ignorados. Isso inviabiliza candidaturas como a minha e de outros colegas que lutam por representatividade", declarou.
Comparação com outros candidatos
Hilton comparou o montante que receberá com os valores destinados a outros nomes do PSOL, apontando discrepâncias significativas. Embora não tenha revelado números exatos, a deputada afirmou que a diferença é 'gritante' e compromete a competitividade de sua campanha. A parlamentar pediu uma revisão imediata dos critérios e maior transparência na gestão dos recursos do fundo partidário e eleitoral.
Até o momento, o PSOL não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A reportagem tenta contato com a direção nacional do partido para obter esclarecimentos.



