Durigan: política monetária não deve olhar para 'testes de soluço' e vê espaço para mais cortes na Selic
Durigan: política monetária não deve olhar para 'testes de soluço'

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira que a política monetária não deveria se basear em 'testes de soluço' de curto prazo, como os gerados pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ele avaliou que há espaço para mais cortes na taxa básica de juros, um dia após o Banco Central reduzir a Selic para 14,25% ao ano.

Declarações sobre política monetária

Em entrevista ao portal Metrópoles, Durigan defendeu as ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mitigar os impactos da guerra nos preços dos combustíveis no Brasil, argumentando que foram tomadas com responsabilidade fiscal. 'A política monetária não deveria olhar para esses testes de soluços ou intercorrências no curto prazo, como foi o caso da guerra, que agora já estamos vendo um arrefecimento, já estamos com o preço do petróleo em um patamar mais baixo', disse o ministro.

'Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso sem dúvida nenhuma é uma competência do Banco Central, eu estou aqui simplesmente expondo a posição que eu penso', acrescentou.

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Decisão do Copom

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto, argumentando que avalia trajetórias de juros 'alternativas' para atingir a meta de inflação em um horizonte mais distante. Analistas ouvidos pelo BC no Boletim Focus têm elevado as projeções para o IPCA, colocando-o acima do teto da meta ao final deste ano, e também as estimativas para a Selic ao final de 2024 e 2025.

Caso Jaques Wagner

Durigan também foi questionado sobre a operação da Polí Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Os investigadores apontam que ele teria recebido ao menos R$ 8,35 milhões em vantagens indevidas para atuar em favor do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo BC no fim do ano passado. O ministro disse confiar em Wagner e que ele terá oportunidade de se explicar. 'Eu confio e gosto muito do Jaques Wagner, acho que ele tem que ter a oportunidade de se explicar, de se defender, e eu confio que ele vai poder fazer isso', afirmou. Durigan ainda associou o escândalo à gestão de Roberto Campos Neto no BC, lembrando que o banco obteve autorização em 2019 e se expandiu até 2024, período em que Campos Neto presidia a autarquia.

Declarações de Trump

Durigan rechaçou as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que o Brasil se tornou 'um pouco agressivo' e 'politicamente perigoso'. 'Eu não vejo a razão para uma declaração deste tipo, a não ser querer gerar instabilidade, querer atuar em favor da oposição. Acho que existe, sem dúvida, um interesse econômico, para além do interesse político de eventualmente beneficiar a Família Bolsonaro, existem preocupações econômicas que nos chegam', concluiu.

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