O bolsonarismo assumiu a liderança do debate digital sobre corrupção após a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. É o que aponta um relatório do instituto Democracia em Xeque, divulgado nesta segunda-feira (23).
Domínio da narrativa bolsonarista
Entre os dias 15 e 21 de junho, 66% das postagens nas redes sociais sobre corrupção seguiram a linha bolsonarista, interrompendo a capacidade do governo petista de pautar o tema. A operação da PF investiga supostas vantagens econômicas ligadas ao Banco Master.
Segundo o instituto, o volume de menções ao assunto cresceu 340% em relação à semana anterior, impulsionado principalmente por perfis alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Repercussão assimétrica
Enquanto Jaques Wagner foi alvo de críticas intensas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e também investigado, teve repercussão menor. O relatório aponta que a narrativa bolsonarista conseguiu associar a operação a um suposto escândalo de corrupção do PT, desviando o foco de investigações envolvendo a família Bolsonaro.
“A estratégia foi eficaz em pautar a conversa e proteger Flávio Bolsonaro, que mal foi mencionado”, afirma um trecho do documento.
Impacto político
O levantamento do Democracia em Xeque, que monitora o debate político na internet, sugere que a oposição bolsonarista capitalizou o episódio para reforçar sua narrativa de combate à corrupção, enfraquecendo a imagem do governo Lula. A operação da PF ocorreu no âmbito de investigações sobre supostas irregularidades no Banco Master, instituição financeira que teria concedido benefícios a políticos.



