BTG deve desistir da compra do Digimais após operação da PF; CDBs disparam
BTG desiste do Digimais após operação da PF; CDBs disparam

O BTG Pactual deve desistir da compra do Digimais após a operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes na instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo. A transação, que estava paralisada e dependia de uma injeção de capital do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), não deve mais acontecer, segundo apuração do Estadão.

Operação Miragem e bloqueio de R$ 670 milhões

Nesta terça-feira (23), a PF deflagrou a Operação Miragem contra supostas fraudes no Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões contra investigados, incluindo Edir Macedo. A suspeita é de que a instituição tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário.

Em nota ao Estadão, o Digimais afirmou que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso”. A instituição reafirmou “seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”. A ID, que administra os fundos do Digimais, disse que “adota rigorosos padrões de governança e esclarecerá as autoridades sobre suas atividades e comprovará a lisura das suas operações”.

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Fitch rebaixa nota de crédito do Digimais

A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do Digimais, avaliando que a margem de segurança da instituição é muito baixa, tornando um eventual calote ou quebra do banco possibilidades reais. Segundo a agência, as incertezas sobre o perfil financeiro do Digimais e a limitada disponibilidade de dados comprometem a avaliação de capital, liquidez e estratégia.

Com a operação da PF e o rebaixamento, as taxas dos CDBs do Digimais no mercado secundário dispararam, refletindo o aumento da percepção de risco. Na XP, era possível encontrar CDBs com rentabilidade de 135% do CDI, investimento mínimo de R$ 1,5 mil e vencimentos em dezembro de 2027 e abril de 2028. No Itaú, os CDBs do banco ofereciam retorno de 114,2% do CDI, com aplicação mínima de R$ 1,2 mil e vencimentos para agosto, setembro ou dezembro de 2029.

Riscos para o investidor e regras do FGC

Sem um socorro externo, o mercado avalia a probabilidade de liquidação do Digimais. Nesse caso, os investidores com CDBs teriam que recorrer à garantia do FGC, que tem limite de R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ a cada quatro anos, além do teto de R$ 250 mil por instituição ou conglomerado financeiro.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, alerta que mesmo com a cobertura do FGC, o investidor pode enfrentar períodos sem acesso aos recursos até que o ressarcimento seja concluído. “Em outras palavras, o risco deixa de ser apenas patrimonial e passa a ser também de liquidez”, afirma. No caso do Master, foram 62 dias de demora no pagamento.

Vale antecipar o resgate dos CDBs?

Rafaela de Sá, planejadora financeira CFP pela Planejar, diz que o caso do Digimais merece atenção, mas ainda é cedo para equipará-lo a instituições liquidadas. “Enquanto não houver uma mudança formal no status regulatório da instituição, o risco é mais relacionado à incerteza do que a um evento concreto de perda”, afirma.

Gabriel Pinheiro, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, recomenda que, se o deságio for pequeno e o investidor estiver desconfortável, antecipar a saída pode fazer sentido. Caso o desconto seja grande, ele sugere cautela: “Acredito que, para quem está dentro dos limites do FGC, é melhor permanecer e aguardar o desfecho da situação envolvendo o Digimais, desde que esteja disposto a enfrentar eventual atraso no acesso aos recursos”.

CDBs a 135% do CDI: o retorno compensa o risco?

Para quem ainda não possui posição no Digimais, a decisão de investimento deve considerar os riscos. Segundo Brás, “investidores que conhecem profundamente as regras do FGC, respeitam os limites de cobertura e não possuem necessidade de liquidez podem enxergar uma oportunidade tática”, mas trata-se de uma estratégia que se apoia em brechas do modelo de proteção do FGC.

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Simulação de Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, mostra que um investimento de R$ 50 mil em CDB a 100% do CDI gera ganho líquido de R$ 429,72 em um mês, enquanto a 135% do CDI proporciona R$ 581,20, diferença de cerca de R$ 151,50. Em uma aplicação de R$ 200 mil por um ano, a vantagem do CDB a 135% chega a R$ 8.926,25, com saldo total de R$ 202.324,78, dentro do limite do FGC.