Israel divulga imagens do ataque ao Irã; Irã culpa EUA por escalada
Israel divulga imagens do ataque ao Irã; Irã culpa EUA

Israel divulga primeiras imagens do ataque ao Irã

As Forças Armadas de Israel divulgaram nesta segunda-feira (8) imagens do ataque realizado contra o território iraniano, como retaliação aos mísseis lançados por Teerã no domingo (7). As imagens, segundo as forças israelenses, mostram o momento em que mísseis de Israel atingem sistemas de defesa aérea do Irã. Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que os sistemas atingidos abrigavam mísseis destinados a atingir aeronaves.

Irã culpa Estados Unidos pela escalada

O Irã culpou os Estados Unidos pela troca de ataques com Israel no fim de semana. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que as ações israelenses não podem ser dissociadas das políticas americanas. Segundo Baghaei, os novos ataques agravam o processo diplomático caótico com os EUA e aumentam a desconfiança de Teerã em relação a Washington. Ele acrescentou que os EUA têm responsabilidade direta pelas recentes violações do cessar-fogo e que Israel não toma medidas independentes sem consultar Washington.

Detalhes dos ataques

Mais cedo, Israel realizou ataques a alvos militares no Irã na manhã de segunda (noite de domingo, 7, no horário de Brasília), segundo o site americano Axios. Explosões foram ouvidas em Teerã, Tabriz e Isfahan, conforme a rede de TV Al Jazeera. Os bombardeios representam uma escalada bélica na região e a quebra definitiva do cessar-fogo estabelecido em abril. É a primeira vez desde abril que Israel e Irã se atacam mutuamente. Esta também é a segunda vez em menos de 24 horas que Israel desafia Donald Trump e realiza ataques a países da região.

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A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã, disseram as forças israelenses em redes sociais.

Contexto do cessar-fogo

Trump tentou estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, que atua no Líbano, durante a semana. Israel violou o acordo bombardeando Beirute. Após os ataques israelenses à capital libanesa, o Irã lançou uma série de mísseis em direção a Israel neste domingo (7). Trump ligou para o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo que não houvesse resposta militar contra Teerã. Ao jornal Financial Times, Trump disse que Netanyahu não tinha opção a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, pois é ele quem dá as cartas — o acordo está em fase de negociação e ainda não foi assinado.

Estamos próximos de um acordo final com o Irã, eu não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora, disse Trump mais cedo ao site Axios.

Reações e ameaças

Não há registros de feridos nos bombardeios iranianos. Imagens nas redes sociais mostram interceptações do sistema Domo de Ferro nos céus controlados por Israel. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter disparado contra uma base militar israelense. Logo após a onda de mísseis, Netanyahu disse que contra-atacaria a retaliação do Irã. Trump, porém, se manifestou contra o revide.

O ataque israelense, que rompeu a trégua no Líbano, atingiu prédios em um subúrbio de Beirute que Israel disse abrigar terroristas do Hezbollah que planejavam um ataque. O Irã disse que as 19 bases que os EUA têm no Oriente Médio voltaram a ser alvos legítimos — os EUA têm bases militares em países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito. A ameaça também foi estendida a ativos israelenses na região.

Após a manifestação de Teerã, o Iraque informou que fechará seu espaço aéreo e suspenderá os serviços de navegação de aeronaves por 72 horas. O Irã também fechou seu espaço aéreo. O anúncio foi feito pelo principal negociador do Irã nas conversas com os EUA, Mohammad Qalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano.

Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder, disse Qalibaf em redes sociais.

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Desafio a Trump

O ataque de Israel ao Líbano também foi um desafio ao presidente dos EUA, Donald Trump, que garantiu na semana passada que Israel não voltaria a bombardear o Líbano. As desavenças entre os aliados EUA e Israel por conta do Líbano geraram inclusive uma discussão entre Trump e Netanyahu. O presidente dos EUA confirmou ter chamado Netanyahu de completamente louco por conta dos ataques de Israel no Líbano e criticou as incursões.

Trump se referia aos constantes ataques que Israel tem feito ao vizinho Líbano em meio ao cessar-fogo em vigor no conflito do Oriente Médio. O Paquistão, que media as negociações, e o Irã insistem em que o Líbano estava contemplado na trégua, enquanto EUA e Israel insistem que apenas ataques em território iraniano e nos países do Golfo Pérsico.

Na semana passada, o presidente norte-americano afirmou que Israel e o Hezbollah concordaram em fazer uma trégua nos ataques no Líbano e no norte do território israelense. Israel luta no Líbano contra o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado pelo Irã.