O Irã reafirmou seu apoio ao aliado libanês Hezbollah e exigiu que Israel se retire do sul do Líbano, destacando as complexidades enfrentadas por um acordo provisório para encerrar o conflito mais amplo entre Estados Unidos e Irã. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, em entrevista à emissora libanesa Al Mayadeen na noite de quinta-feira.
Condição para a paz
O Irã estabeleceu um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah como condição essencial para qualquer acordo de paz com Washington, visando resolver a guerra regional que já dura quatro meses e retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz. Araqchi afirmou que "essa guerra só terminará quando terminar também no Líbano" e que "o fim da guerra no Líbano precisa ser acompanhado pela retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam".
Rejeição ao acordo intermediado pelos EUA
Os comentários ocorreram após o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitar um pacto intermediado pelos EUA entre Israel e o governo libanês para interromper os combates no Líbano. O acordo não previa a retirada israelense, e o Hezbollah não participou das negociações. Israel manteve os ataques no sul do Líbano e afirmou que suas forças não se retirarão nem interromperão as operações no país, em meio ao crescente atrito com os Estados Unidos.
Intensificação dos combates
O Hezbollah declarou na sexta-feira ter realizado dois ataques contra tropas israelenses no sul do Líbano, inclusive perto do Castelo de Beaufort, recentemente capturado. Os serviços de segurança libaneses afirmaram que ataques aéreos israelenses atingiram cidades em todo o sul do Líbano. Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo do Irã, disse que o Hezbollah "fez grandes sacrifícios na guerra recente e é nosso aliado. Portanto, apoiamos o Hezbollah e continuamos firmemente comprometidos com nossas obrigações para com ele". Ele advertiu Israel contra o cumprimento das ameaças de retomar os ataques contra Beirute.
Posição do parlamento libanês
O presidente do parlamento libanês e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, afirmou na sexta-feira que concordaria com a retirada do grupo apoiado pelo Irã do sul do Líbano se as tropas israelenses deixassem simultaneamente o território que ocupam no país. Em Washington, o presidente Donald Trump disse acreditar que há progresso no Líbano e que o país merece paz, acrescentando: "Isso vem acontecendo há muito tempo, vocês sabem."
Cessar-fogo frágil
Juntamente com o Líbano, os residentes de Gaza, do norte de Israel e do Kuwait estiveram sob fogo nesta semana, apesar dos cessar-fogos organizados pelos EUA que, segundo Trump, envolveram "disparos de maneira mais moderada", em vez de uma interrupção total dos combates. Nesta sexta-feira, a Marinha iraniana afirmou ter disparado tiros de advertência contra destróieres dos EUA no Golfo de Omã para conter "ataques e assédio marítimos, bem como o sequestro de navios mercantes e petroleiros". Anteriormente, as forças norte-americanas haviam informado que abordaram um petroleiro no Oceano Índico e que continuariam a bloquear "embarcações que fornecem apoio material ao Irã".
Incidente em Omã
Em Omã, um suposto ataque com drones forçou a suspensão do carregamento de petróleo no terminal de Mina al Fahal após uma explosão, segundo fontes, antes que as operações normais fossem retomadas.



