El Niño: entenda o fenômeno e seus impactos no Brasil
El Niño: entenda o fenômeno e seus impactos no Brasil

Entenda como funciona o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural que nasce do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial e oriental, alterando o padrão de chuvas e calor em diferentes partes do mundo. A Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) anunciou que o El Niño já começou e deve se intensificar no final do ano.

Segundo a diretora da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, o mundo deve se preparar para um El Niño que pode “exacerbar as secas e as chuvas intensas e aumentar o risco de ondas de calor”. No Brasil, o governo federal criou um gabinete de emergência para enfrentar o fenômeno, e parte dos especialistas teme a formação de um “super El Niño”.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural que eleva as temperaturas da superfície da água do Oceano Pacífico equatorial e oriental, provocando mudanças globais no regime de ventos, chuvas e pressão atmosférica. O fenômeno ocorre, normalmente, em intervalos que podem variar de dois a sete anos e tem duração aproximada de um ano.

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Impactos no Brasil

Mesmo que seja moderado, o El Niño torna a ocorrência de alguns eventos climáticos extremos mais provável. O último registrado contribuiu para que 2023 e 2024 fossem os anos com temperaturas médias mais altas já registradas no planeta, cerca de 1,5ºC acima da média pré-industrial. No Brasil, foram registradas chuvas acima da média e enchentes no Sul do País e seca no Norte.

A OMM afirmou que não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos de El Niño. No entanto, a agência acredita que elas podem amplificar os efeitos associados, porque um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas.

Preparação do governo

Órgãos do governo federal e instituições de pesquisa no Brasil estão se reunindo semanalmente desde o fim de maio para acompanhar os impactos do El Niño e coordenar ações de prevenção e resposta em todo o País. Até o momento, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram três reuniões técnicas sobre o tema.

Os encontros servem para fazer o planejamento das ações federais em articulação com Estados, municípios, universidades e organizações da sociedade civil, para mitigar possíveis efeitos do El Niño no Brasil. Segundo o governo, desde o início do ano vêm sendo estruturadas medidas integradas para reduzir os efeitos de eventos extremos associados ao fenômeno.

O governo também retomou a Sala de Situação sobre Incêndios Florestais, grupo que reúne 13 ministérios e nove autarquias federais para monitorar cenários críticos e definir respostas emergenciais durante períodos de maior risco.

Previsões regionais

De acordo com as previsões do Cemaden, os primeiros impactos mais significativos na América do Sul devem ser sentidos durante a primavera, ou seja, a partir do fim de setembro. Na região Sul do Brasil, a previsão é de aumento das chuvas, o que pode elevar o risco de enchentes, alagamentos e outros eventos associados a precipitações intensas.

Nas regiões Norte e Nordeste, os impactos serão mais perceptíveis durante o verão e o outono de 2027. Ao contrário do que ocorre no Sul, a tendência nessas áreas é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, cenário que pode favorecer períodos de seca, pressionar reservatórios e afetar atividades como a agricultura e o abastecimento de água em algumas localidades.

Opinião de especialistas

“Ainda é cedo para afirmar se o fenômeno será muito intenso; mas ainda que seja, isso não significa que o impacto será automaticamente maior”, explicou a especialista do Greenpeace-Brasil Ana Clis Ferreira, porta-voz da Frente Desmatamento Zero da ONG. “O problema é que, muitas vezes, não estamos preparados, sobretudo nos meios urbanos, e podemos ter impactos semelhantes aos de 2024.”

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Segundo Ana Clis Ferreira, os gestores públicos devem partir para a ação, sobretudo nas regiões mais afetadas. “Já está mais do que na hora deles botarem os planos na rua, preparar as cidades e proteger as populações mais vulneráveis”, afirmou.