Em um cenário global de crescente fechamento de fronteiras, a Copa do Mundo revela que nações se fortalecem com a pluralidade. Seleções de destaque no Mundial são compostas majoritariamente por jogadores com origem imigrante: na França, 20 dos 26 jogadores são filhos de pessoas nascidas fora do país; na Holanda, metade do elenco; na Inglaterra e na Alemanha, um terço; e no Canadá, mais de 70%. O acolhimento a quem vem de fora gera resultados positivos não apenas nos campos, mas também na economia global: 5% da força de trabalho mundial é composta por trabalhadores migrantes.
Empreendedorismo entre imigrantes no Brasil
No Brasil, a maioria dos imigrantes e refugiados encontra no empreendedorismo uma via de inserção: 70% seguem esse caminho, e quase metade desses empreendimentos já geram empregos adicionais. Esses dados foram discutidos no episódio do podcast O Assunto, que entrevistou profissionais que atuam com migrantes e refugiados.
Silvia Caironi, fundadora e presidente da ONG Aventura de Construir, explicou por que o empreendedorismo se torna uma rota sólida para essas pessoas. Já Paulo Illes, fundador do Fórum Social Mundial de Migrações e ex-coordenador de política migratória do Ministério da Justiça, analisou os fluxos globais de migração e apontou o que o Brasil pode fazer para aproveitar o potencial dos migrantes. Participou também Benazira Djoco, empresária e refugiada de Guiné-Bissau, que veio para o Brasil aos 16 anos e hoje comanda seu próprio negócio.
Impactos sociais e econômicos da migração
O episódio destacou que, enquanto parte do mundo ergue barreiras, a migração traz benefícios concretos. Segundo dados citados, 5% da força de trabalho global é migrante, contribuindo para economias locais. No Brasil, o empreendedorismo entre refugiados é um motor de geração de empregos: 70% dos imigrantes e refugiados optam por empreender, e quase metade desses negócios já contratam outros trabalhadores.
Histórias de superação: Benazira Djoco
Benazira Djoco compartilhou sua trajetória: saiu de Guiné-Bissau aos 16 anos como refugiada e construiu uma empresa no Brasil. Sua história ilustra o potencial dos migrantes quando acolhidos. O episódio também abordou o Dia do Refugiado, lembrando que mais de 80 mil refugiados encontraram no Amazonas oportunidades de recomeçar. Além disso, foi mencionado que o Brasil tem 2 milhões de imigrantes e refugiados, segundo relatório recente.
O papel do Brasil na acolhida
Paulo Illes ressaltou que o Brasil precisa de políticas públicas para integrar migrantes e refugiados, aproveitando seu potencial econômico e social. Ele alertou para o aumento de pedidos de refúgio de cubanos, que quase dobraram de 2024 para 2025, muitos entrando de forma ilegal e arriscada. O podcast O Assunto é produzido por Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama, com apresentação de Natuza Nery.



