A 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul teve início nesta segunda-feira, em Luque, no Paraguai, com duras críticas do presidente anfitrião, Santiago Peña, às cotas de exportação impostas pela União Europeia (UE). Em seu discurso de abertura, Peña afirmou que as cotas geram "assimetrias" dentro do bloco sul-americano e exigiu "resultados concretos" para corrigir essas desigualdades.
Críticas às cotas da UE
"Não podemos aceitar que as cotas de exportação sejam distribuídas de forma injusta, prejudicando países como o Paraguai", declarou Peña, segundo a imprensa local. O presidente paraguaio questionou a decisão da UE de manter cotas que precisam ser divididas entre os países do Mercosul, o que, em sua visão, favorece os maiores exportadores do bloco. A reclamação ocorre em meio às negociações para o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que enfrenta resistências de ambos os lados.
Diálogos com o Japão
A cúpula também marcou o início oficial de diálogos exploratórios entre o Mercosul e o Japão, com vistas a um futuro acordo de livre comércio. A iniciativa foi bem recebida pelos países-membros, que veem no mercado asiático uma oportunidade para diversificar suas exportações. "O Japão é um parceiro estratégico e estamos abertos a negociações que tragam benefícios mútuos", afirmou o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, em coletiva de imprensa.
Solidariedade à Venezuela
Outro momento marcante da sessão plenária foi o minuto de silêncio proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solidariedade ao povo venezuelano. A homenagem ocorre em meio à crise política e humanitária no país vizinho, que tem gerado preocupação entre os líderes regionais. Lula destacou a importância da democracia e do diálogo na região, sem mencionar diretamente o governo de Nicolás Maduro.
Impacto e perspectivas
As críticas de Peña às cotas da UE colocam pressão sobre as negociações do acordo Mercosul-União Europeia, que já se arrastam por décadas. Enquanto o bloco europeu defende as cotas como forma de proteger seus mercados agrícolas, os sul-americanos as veem como barreiras injustas. A cúpula segue até quarta-feira, com debates sobre integração econômica, infraestrutura e cooperação regional.



