Geração Z troca noite por corridas matinais
No Rio de Janeiro, um choque geracional inusitado está redesenhando a vida noturna e matinal da cidade. Enquanto os jovens da Geração Z abandonam as baladas da madrugada para acordar cedo e participar de corridas e cafés pós-treino, os cariocas acima de 50 anos lotam festas e rodas de samba até o amanhecer. A dinâmica, que mistura boemia e vida ao ar livre, reflete uma inversão de hábitos que surpreende e encanta.
Jovens optam por saúde e bem-estar
Influenciadores como Leandro Junior, de 23 anos, promovem um estilo de vida saudável nas redes sociais, incentivando seus seguidores a trocar a noite por atividades físicas ao amanhecer. “Acordar cedo para correr e tomar um café com os amigos é a nova balada”, afirma Leandro. Grupos de corrida matinal, como o “Cariocas Run”, reúnem dezenas de jovens todos os dias na orla carioca, transformando o hábito em um fenômeno social.
50+ revivem boemia noturna
Enquanto isso, o público mais maduro redescobre a boemia. Eventos como a festa Kikando, idealizada pela escritora Kika Gama Lobo, de 61 anos, atraem centenas de pessoas acima dos 50 anos. “Bebo chope e vinho, saio e dou festa na madrugada”, conta Kika, que vê na noite uma forma de celebrar a vida com intensidade. As rodas de samba na Lapa também registram aumento de frequentadores mais velhos, que ocupam bares e casas noturnas até o amanhecer.
Impacto na dinâmica carioca
A inversão de horários tem impactado o comércio e o turismo. Bares e casas noturnas que antes focavam no público jovem agora adaptam seus horários e cardápios para atender os 50+. Já os cafés e padarias abrem mais cedo para receber os corredores da Geração Z. “É uma mudança que reflete novos valores: os jovens buscam saúde e os mais velhos, prazer”, analisa o sociólogo Carlos Alberto de Oliveira.
Dados e tendências
Segundo pesquisa da Associação de Bares do Rio, a frequência de jovens em baladas noturnas caiu 30% nos últimos dois anos, enquanto a participação de pessoas acima de 50 anos em eventos noturnos cresceu 45%. “A cidade está se adaptando a essa nova realidade”, diz o presidente da associação, Marcos Salles.
Exemplos de sucesso
A festa Kikando, que começou como um encontro de amigos, hoje reúne mais de 200 pessoas por edição. “É uma celebração da maturidade”, afirma Kika. Já o grupo Cariocas Run, fundado por Leandro Junior, conta com mais de 500 membros ativos e organiza corridas temáticas todos os domingos. “A gente corre, toma café e ainda tem energia para o resto do dia”, completa Leandro.



