O Brasil registrou, no início de 2026, um recorde de 13,9 milhões de jovens ocupados com idade entre 14 e 24 anos, superando os níveis pré-pandemia. O número representa uma recuperação expressiva do mercado de trabalho para essa faixa etária, acompanhada por uma queda significativa no desemprego juvenil.
Queda do desemprego e aumento da ocupação
De acordo com estudo que cruza diferentes bases de dados, a taxa de desemprego entre jovens caiu para 14,2% no primeiro trimestre de 2026, menor patamar desde 2014. Em contrapartida, a população ocupada atingiu o maior contingente da série histórica, com 13,9 milhões de jovens trabalhando formal ou informalmente.
O avanço foi puxado principalmente pelos setores de serviços e comércio, que absorveram grande parte dos jovens que buscavam a primeira oportunidade. Especialistas atribuem o resultado à retomada econômica e a programas de incentivo à contratação.
Rotatividade e qualidade dos vínculos
Apesar do recorde, a rotatividade no emprego juvenil continua alta. Dados do Ministério do Trabalho indicam que, em média, um jovem permanece no mesmo posto de trabalho por apenas 8 meses. A baixa qualidade dos vínculos, com predomínio de contratos temporários e informais, é apontada como principal causa.
“A rotatividade elevada prejudica a acumulação de experiência e a progressão na carreira, além de gerar instabilidade financeira”, afirma o economista responsável pelo estudo, sem citar nome. A informalidade atinge 42% dos jovens ocupados, contra 34% da população adulta.
Os 'nem-nem' ainda são 6,2 milhões
Outro desafio é a persistência do grupo de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados 'nem-nem'. Em 2026, eles somam 6,2 milhões, número que, embora inferior aos 7 milhões registrados em 2022, ainda representa um quarto dos jovens brasileiros.
O perfil desses jovens é majoritariamente feminino (58%), com baixa escolaridade e moradores de regiões metropolitanas. A maioria vive em famílias de baixa renda, o que dificulta o retorno ao sistema educacional ou a inserção no mercado.
Desigualdade salarial persiste
O estudo também revela que a desigualdade salarial entre jovens de diferentes etnias se mantém. Jovens brancos ganham, em média, 35% a mais que jovens negros e pardos na mesma faixa etária e com mesmo nível de escolaridade. A diferença é ainda maior entre homens e mulheres negras.
“A discriminação racial no mercado de trabalho é estrutural e não se resolve apenas com o crescimento econômico”, comenta o pesquisador. Políticas de ação afirmativa e fiscalização mais rigorosa são apontadas como caminhos para reduzir a disparidade.
Perspectivas e desafios futuros
Para manter o ritmo de crescimento do emprego juvenil, especialistas defendem a ampliação de programas de aprendizagem e qualificação profissional, além de medidas que incentivem a formalização. A redução do número de 'nem-nem' depende de políticas integradas de educação, assistência social e geração de renda.
O governo federal anunciou, em maio de 2026, a ampliação do Programa Jovem Aprendiz, com meta de dobrar o número de vagas até 2028. A iniciativa é vista como positiva, mas ainda insuficiente diante da magnitude do desafio.



