A França registrou o dia mais quente de sua história, com temperaturas superiores a 40°C em diversas regiões, intensificando o debate sobre o uso de ar-condicionado como medida de adaptação às mudanças climáticas. A classe política encontra-se dividida: enquanto alguns defendem a instalação em larga escala, outros alertam que isso pode agravar o aquecimento global.
Onda de calor sem precedentes
Os termômetros ultrapassaram os 40°C em várias localidades, levando o governo a fechar escolas, colocar hospitais em alerta e recomendar trabalho remoto. O grupo Carrefour informou ter vendido, na última segunda-feira (22), "mil vezes mais" unidades de ar-condicionado do que o habitual. A procura por ventiladores também disparou.
Posições políticas divergentes
Manuel Bompard, coordenador nacional do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), declarou à rádio RTL no domingo (21): "A questão não é ser a favor ou contra o ar-condicionado, mas sim a favor ou contra sua adoção em larga escala." Ele defendeu equipar prioritariamente residências de idosos, hospitais e escolas, mas alertou que os aparelhos intensificam o calor urbano e usam gases de efeito estufa mais potentes que o CO₂.
Na direção oposta, a extrema direita, representada pela Reunião Nacional de Marine Le Pen, propõe um amplo programa de instalação. "Se eu for eleita presidente, implementarei um plano massivo de ar-condicionado", afirmou Le Pen em feira de tecnologia em Paris. A proposta não detalha custos ou implementação.
Visão dos ecologistas
A secretária nacional dos Verdes, Marine Tondelier, declarou à LCI no domingo que o ar-condicionado não deve ser tabu nem solução universal. "Se você climatizar casas que não são isoladas, não vai chegar muito longe", afirmou, defendendo a adaptação urbana como prioridade. Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, sustenta que a instalação generalizada amplia os impactos ambientais.
Posição do governo
O governo busca um meio-termo. Vincent Jeanbrun, ministro da Habitação e dos Assuntos Urbanos, disse na Assembleia Nacional: "A ideia não é instalá-lo em todos os lugares em detrimento de qualquer outra solução, mas utilizá-lo apenas quando for necessário e possível." Ele defende tratar o tema "sem dogmas".
Urgência de adaptações
Especialistas alertam para a necessidade de investimentos urgentes. Robert Vautard, meteorologista do IPCC, afirmou à RFI: "Se adaptar é também antecipar com investimentos nas construções, nas infraestruturas, nas redes para que possam ser resilientes a estas temperaturas." A intensidade das ondas de calor tem levado muitos a rever suas posições sobre o tema.



