Jogadores da seleção da Holanda sofreram ataques racistas após a eliminação na Copa do Mundo de futebol nesta semana, marcando mais um episódio lamentável no futebol europeu. Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville, que desperdiçaram pênaltis na derrota para Marrocos, foram os principais alvos. Eles receberam comentários racistas, incluindo emojis e gifs de macaco, em suas redes sociais, forçando-os a limitar as interações.
Federação holandesa repudia ataques
A federação holandesa repudiou o episódio, afirmando que 'vários jogadores foram tratados de forma racista e discriminatória' e que 'o racismo e a discriminação não têm lugar em nenhum espaço da sociedade'. O caso não é isolado: incidentes semelhantes ocorreram com o trio inglês Saka, Rashford e Sancho após a final da Eurocopa de 2021, e com Kylian Mbappé, que cogitou se aposentar da seleção após perder pênalti na mesma competição.
Fenômeno 'europeu quando ganha, imigrante quando perde'
Os xingamentos mais graves são direcionados a jogadores negros e filhos de imigrantes, como Timber e Summerville. Segundo o professor Adriano Freixo, da UFF, isso reflete o avanço da extrema direita e do movimento anti-imigração na Europa. 'Quando você quer procurar um bode expiatório, o mais fácil é procurar aquele que é diferente. A extrema direita utiliza a diferença para construir o ódio ao imigrante', explicou.
Ao mesmo tempo, jogadores negros e filhos de imigrantes são cada vez mais frequentes nas seleções europeias. Na França, eles representam mais de 75% do elenco na Copa; na Holanda, metade dos jogadores são filhos de imigrantes. O doutor em Ciência Política Maurício Santoro afirma que o futebol reflete tensões sociais decorrentes da imigração e que o fenômeno de internacionalização das seleções deve aumentar. 'Cabe às federações criar uma mentalidade positiva sobre isso', disse.



