O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu nesta terça-feira (30) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e colocou o Brasil “à disposição” do país para colaborar com o processo de reconstrução de casas na região, atingida por terremotos na última semana. A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa após o encontro entre as duas autoridades.
Encontro em Caracas
Durante a viagem a Caracas, Múcio também se encontrou com o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López. Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Novos tremores
Na última segunda (29), a Venezuela registrou mais um tremor de terra. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude foi de 4,6 e o epicentro foi em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital, Caracas, às 7h do horário local — 8h em Brasília. Na sexta-feira (26), já havia acontecido um terceiro terremoto, com magnitude parecida com a desta segunda-feira, bem menor do que a dos dois primeiros. Na manhã de domingo (28), também foram registrados abalos de magnitude 4,2 e 4,5.
Número de vítimas
São cerca de duas mil mortes já confirmadas, além de aproximadamente 10,5 mil feridos — a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que outras dezenas de milhares de pessoas ainda estejam desaparecidas.
Desafio da reconstrução
Segundo o governo brasileiro, durante a reunião com José Múcio, Delcy Rodríguez apontou a reconstrução habitacional do país como “um dos principais desafios no médio prazo”. Ainda de acordo com o governo brasileiro, engenheiros venezuelanos que participaram da reunião relataram estar em fase de estudos um projeto para identificar terrenos seguros e viáveis para a construção de novas moradias nas áreas afetadas.
Colaboração técnica
O ministro da Defesa, então, afirmou que o Brasil está “à disposição” para “colaborar tecnicamente nesse processo” de reconstrução. Segundo ele, também poderá haver apoio da Caixa Econômica Federal e do Ministério das Cidades, órgãos com “experiência em programas habitacionais e em ações de reconstrução após desastres”, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. “Primeiro, estamos tratando de salvar vidas e organizar o atendimento emergencial. Em um segundo momento, será necessário planejar a reconstrução, incluindo a definição de áreas seguras para habitação”, respondeu José Múcio ao governo venezuelano, conforme o ministério.
Ajuda humanitária
Desde a semana passada, o governo brasileiro anunciou o envio de ajuda humanitária ao país. Nesse contexto, a embaixada do Brasil em Caracas tem pedido aos brasileiros que vivem na Venezuela que doem sangue e que evitem se dirigir à região atingida pelos terremotos. Ao todo, desde a semana passada, cinco voos já decolaram do Brasil em direção à Venezuela com ajuda humanitária. O mais recente decolou nesta terça, segundo a Força Aérea Brasileira, com equipamentos para expansão do hospital de campanha montado em La Guaira e militares da Marinha, por exemplo, além de insumos médicos.
Nos quatro voos anteriores, segundo o governo brasileiro, o país enviou: 71 bombeiros; 4 especialistas da Defesa Civil; 4 técnicos da Anatel; 6 cães de busca; hospital de campanha; 48 militares da Marinha; 100 purificadores de água; 112 mil medicamentos e insumos médicos.



