Kim Jong Un reafirma status nuclear da Coreia do Norte e culpa EUA por crises globais
Kim Jong Un reafirma status nuclear e culpa EUA por crises

Kim Jong Un defende arsenal nuclear como resposta a ameaças globais

O líder norte-coreano Kim Jong Un declarou que exercer a posição do país como um Estado nuclear é a única maneira de lidar com uma situação de segurança global imprevisível e complexa, informou a agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira. Durante discurso na segunda reunião plenária do Nono Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, realizada de sábado a segunda-feira em Pyongyang, Kim afirmou que 'incidentes e eventos inimagináveis e espantosos' estão ocorrendo devido à ganância 'gangster' das forças hegemônicas, tornando os confrontos em todo o mundo mais violentos.

Críticas aos EUA e à Coreia do Sul

Kim culpou os Estados Unidos pelo agravamento do derramamento de sangue na Europa e no Oriente Médio, e acusou Washington e Seul de tornarem a situação de segurança na península coreana mais perigosa ao reforçarem constantemente seu arsenal nuclear conjunto, cujo único propósito, segundo ele, é atacar a Coreia do Norte. 'Expandir e fortalecer de forma constante as forças nucleares... e exercer plenamente a posição de um Estado com armas nucleares é a maneira mais correta e singular de lidar de forma ativa e confiante com a imprevisível situação militar e política internacional, que se torna cada vez mais complexa de diversas maneiras', afirmou a KCNA, sem dar detalhes sobre ações específicas em relação ao arsenal nuclear.

Ordens para aumento de arsenais e construção naval

Segundo a KCNA, Kim também ordenou o aumento do arsenal de armas convencionais e acelerou a construção de um cruzador estratégico de mísseis guiados de 10.000 toneladas. Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul, afirmou que os comentários reforçam a contínua rejeição de Pyongyang à desnuclearização e sua busca pelo reconhecimento como um Estado nuclear. 'A Coreia do Norte reafirma mais uma vez que as negociações sobre a desnuclearização estão fora de questão', disse Yang, acrescentando que o país só participaria de negociações 'como um Estado detentor de armas nucleares, em pé de igualdade', potencialmente focando na redução de armamentos em vez do desmantelamento.

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Contexto de sanções e desafios energéticos

Segundo Yang, essas conversas implicariam a aceitação de uma dissuasão mínima e exigiriam o alívio das sanções, diferindo fundamentalmente das propostas de desnuclearização gradual, como as apresentadas pelo presidente sul-coreano Lee Jae Myung ao presidente dos EUA, Donald Trump, na cúpula do G7. Yang afirmou que as referências feitas na reunião do partido ao Grupo Consultivo Nuclear EUA-Coreia do Sul, um órgão criado para deter a ameaça nuclear da Coreia do Norte, e às ambições de Seul de desenvolver um submarino de propulsão nuclear estavam sendo usadas por Pyongyang para justificar seu programa nuclear. A Coreia do Norte desafiou uma série de sanções impostas pelas Nações Unidas e pelos Estados Unidos entre 2006 e 2017, que proibiam Pyongyang de desenvolver armas nucleares e mísseis balísticos. O país declarou-se um Estado nuclear e afirmou que nada o convenceria a abandonar suas armas atômicas, apesar de anos de esforços diplomáticos dos EUA, da China e da Coreia do Sul.

Prioridade na modernização da indústria do carvão

A reunião do partido também destacou o esforço para modernizar a indústria do carvão e revitalizar as comunidades mineiras, o que Kim descreveu como uma prioridade estratégica. 'O carvão continua sendo, efetivamente, o principal recurso energético da Coreia do Norte', disse Yang, observando os planos de modernização do setor com o objetivo de aliviar a escassez crônica de energia.

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