Mais de um século após a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Oeste Paulista, a influência da comunidade permanece viva na região de Presidente Prudente (SP). Da expansão da agricultura ao fortalecimento do comércio, passando pela criação de espaços culturais e educacionais, descendentes e historiadores destacam que a imigração japonesa foi decisiva para o desenvolvimento econômico e social da cidade.
Chegada ao Oeste Paulista
O Dia Nacional da Imigração Japonesa, celebrado em 18 de junho, relembra a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos, em 1908. Anos depois, famílias japonesas começaram a ocupar o Oeste Paulista, impulsionadas pela expansão da Estrada de Ferro Sorocabana e pela busca por terras férteis. Segundo o historiador Benjamin Resende, de 92 anos, a presença japonesa ganhou força na região entre 1917 e 1925, inicialmente em Álvares Machado e depois em Presidente Prudente.
"Eles vieram para cá entre 1917 e 1919 para comprar terra. O padrão começou por volta de 1925, quando chegaram mais japoneses para plantar café, porque na década de 1920 foi a década do café", explicou o historiador. Benjamin ainda aponta que a comunidade foi fundamental para o crescimento agrícola da região. "Em primeiro lugar na lavoura, porque eles vinham para trabalhar na lavoura e ficavam um, dois, três anos. E depois, o comércio, pois a vontade deles era formar os filhos em alguma coisa, já que a primeira coisa que o japonês pensa é na educação do filho", afirmou.
Legado cultural e educacional
Durante entrevista ao g1, Benjamin citou o antigo Colégio São Paulo como um dos maiores símbolos da presença japonesa em Presidente Prudente. Após a Segunda Guerra Mundial, a comunidade japonesa se reorganizou e fortaleceu instituições que preservavam a cultura e auxiliavam na formação dos descendentes, tendo o colégio como principal referência cultural da época. Além da escola, ele destaca a Praça da Cerejeira, o antigo campo de beisebol e diversas famílias que contribuíram para o crescimento econômico do município.
Homenagens no bairro Parque Cedral
Entre os pontos da cidade, o bairro Parque Cedral tem seis ruas que homenageiam imigrantes e descendentes japoneses que ajudaram a construir a história da cidade. As vias receberam os nomes de Kenji Sato Miura, Hekishi Koyanagui, Takao Harada, Maisushiro Ubukata, Kameichi Tarumoto e Iwao Ban. Segundo o historiador, a escolha não foi por acaso. O bairro foi implantado em uma antiga propriedade da família Sugawara, tradicional na comunidade japonesa prudentina, e grande parte dos primeiros moradores era formada por descendentes de japoneses.
"O loteamento foi feito pelo Sugawara, porque ele ia vendendo para os japoneses. Principalmente, muitos japoneses, para ajudá-lo, compraram muitos lotes lá e depois foi vendendo", explicou Benjamin. Embora parte da história desses pioneiros tenha poucos registros oficiais, muitos deles participaram diretamente da construção econômica e social da cidade. Entre os homenageados está Iwao Ban, lembrado como um dos taxistas mais conhecidos da cidade. Já Kenji Sato Miura ficou conhecido pela atuação na agricultura e no setor atacadista, enquanto Takao Harada é lembrado como pioneiro e proprietário de terras. Os demais nomes também representam famílias que participaram da formação da comunidade nipo-brasileira prudentina, embora haja poucos registros históricos sobre suas trajetórias individuais.
Trabalho e integração
Em um dos trechos do livro de Benjamin Resende, ele cita que os primeiros contatos entre brasileiros e japoneses ocorreram ainda na década de 1930, quando famílias passaram a conviver nas propriedades rurais da região. O historiador descreve que a dedicação ao trabalho impressionava os brasileiros: "Do cultivo do café à lavoura do algodão, do alvorecer ao entardecer, o trabalho era contínuo". Ainda conforme a obra, os primeiros japoneses chegaram a Presidente Prudente em 1918, trabalhando na construção da Estrada de Ferro Sorocabana. A partir de 1923, novas famílias passaram a ocupar a região, consolidando bairros rurais e, posteriormente, estabelecimentos comerciais na área urbana.
Para Benjamin Resende, a imigração japonesa deixou marcas que permanecem até hoje na cidade: "Os japoneses fizeram muito por Prudente".



