Esperança de sobreviventes diminui 90h após terremotos na Venezuela
Esperança de sobreviventes diminui 90h após terremotos na Venezuela

Mais de 90 horas após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, a esperança de encontrar sobreviventes diminui drasticamente. O número de mortos já se aproxima de 1.500, enquanto familiares e equipes de resgate continuam escavando montanhas de escombros em busca de vítimas com vida.

Terremotos devastam região de La Guaira

Os terremotos, que ocorreram no último dia 24 de junho, tiveram seu epicentro próximo à costa do estado de La Guaira, a cerca de 30 km de Caracas. A região mais afetada foi Catia La Mar, onde um hospital desabou completamente, deixando dezenas de mortos e feridos. Imagens mostram funcionários do hospital sentados do lado de fora, atônitos, enquanto equipes de resgate trabalham sem trégua.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os tremores principais tiveram magnitudes de 7,3 e 6,8, seguidos por centenas de réplicas. O governo venezuelano decretou estado de emergência em sete estados, mas a resposta das autoridades tem sido criticada pela lentidão.

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Número de mortos se aproxima de 1.500

O balanço oficial, divulgado na manhã deste domingo (28), aponta 1.487 mortos e mais de 5.200 feridos. No entanto, teme-se que o número possa aumentar, já que muitas áreas ainda não foram acessadas. “A cada hora que passa, a chance de encontrar alguém com vida diminui”, afirmou Carlos Mendoza, coordenador da Defesa Civil venezuelana, em entrevista coletiva. “Mas não vamos desistir enquanto houver qualquer possibilidade.”

Mais de 3.000 réplicas já foram registradas, dificultando o trabalho de resgate e aumentando o risco de novos desabamentos. Equipes de busca contam com cães farejadores e equipamentos de detecção de vida, mas as condições são precárias.

Ajuda internacional chega ao país

Diante da tragédia, a comunidade internacional mobilizou ajuda. Os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 150 milhões em assistência emergencial, além de equipes de resgate especializadas e suprimentos médicos. A ONU também enviou uma força-tarefa com 200 profissionais de saúde e engenheiros.

No entanto, a chegada da ajuda tem sido dificultada por restrições de acesso impostas pelo governo venezuelano na região de La Guaira, considerada a mais crítica. Organizações não governamentais denunciam que a burocracia está atrasando a distribuição de alimentos, água e medicamentos.

Sobreviventes e histórias de resistência

Apesar do cenário desolador, histórias de sobrevivência emocionam o país. Na manhã de sábado (27), uma mulher de 34 anos foi resgatada com vida após 86 horas soterrada nos escombros de um prédio em Maiquetía. “Ela estava consciente, mas desidratada. Foi um milagre”, disse à AFP o médico Juan Pérez, que a atendeu no local.

Outro caso marcante foi o de um menino de 8 anos, encontrado com vida na tarde de sábado, abraçado ao corpo da mãe, que não resistiu. A criança foi encaminhada a um hospital de campanha e passa bem.

Desafios logísticos e críticas ao governo

As equipes de resgate enfrentam enormes desafios logísticos. Estradas bloqueadas, falta de combustível e queda de energia elétrica em várias regiões dificultam o acesso. O governo de Nicolás Maduro declarou que está “fazendo todo o possível”, mas a oposição acusa o Executivo de negligência e de não ter preparado o país para desastres naturais.

“Há relatos de que maquinário pesado só chegou 48 horas após os tremores”, denunciou a deputada opositora María Corina Machado. “Enquanto isso, voluntários e moradores cavam com as próprias mãos. É inaceitável.”

O presidente Maduro, em pronunciamento na televisão, afirmou que “a prioridade é salvar vidas” e que “todas as críticas políticas são secundárias neste momento”. Ele anunciou a criação de um fundo de emergência de 500 milhões de bolívares (cerca de US$ 20 milhões) para auxiliar as vítimas.

Impacto humanitário e perspectivas

Mais de 250 mil pessoas foram diretamente afetadas pelos terremotos, segundo a ONU. Cerca de 80 mil estão desabrigadas, abrigadas em escolas, igrejas e tendas improvisadas. A falta de água potável e saneamento básico aumenta o risco de surtos de doenças como cólera e dengue.

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A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para a necessidade urgente de assistência médica e psicológica. “Muitos feridos estão em estado grave e os hospitais da região estão sobrecarregados ou destruídos”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne.

As buscas por sobreviventes continuam, mas as autoridades já admitem que a fase de resgate está chegando ao fim. Após 72 horas, as chances de encontrar pessoas com vida caem drasticamente. A expectativa é que, nos próximos dias, as equipes passem a se concentrar na recuperação de corpos e na assistência humanitária.