Dois meninos de 11 anos foram resgatados com vida dos escombros de edifícios que desabaram nos fortes terremotos que atingiram a Venezuela esta semana. Os dois estavam soterrados em locais diferentes. Um vídeo divulgado neste domingo (28/06) mostra um dos meninos, identificado como Moises, sendo retirado dos destroços — com os olhos cobertos para protegê-los do sol — sob aplausos dos socorristas. Horas depois, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que outro menino de 11 anos havia sido resgatado e publicou um vídeo no X, onde ele aparece sendo carregado em uma maca.
Número de mortos ultrapassa 1.400
Desde os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na quarta-feira, autoridades confirmaram pelo menos 1.430 mortes. Dezenas de milhares de pessoas ainda estão desaparecidas. Já se passaram mais de 72 horas desde o primeiro terremoto, mas os socorristas não perderam as esperanças, afirmando que pessoas ainda podem estar vivas, especialmente se tiverem acesso a comida e água sob os escombros.
Detalhes dos resgates
A Unidade Nacional de Gestão de Risco de Desastres (UNGRD) informou que Moises estava soterrado sob cerca de 3 metros de escombros, e que a equipe de resgate passou seis horas realizando um trabalho de "alta precisão" no sábado para alcançá-lo. A Reuters informou que um socorrista foi ouvido no rádio dizendo que o menino foi encontrado perto de sua irmã e de sua mãe, que haviam morrido. Horas depois, Delcy Rodríguez publicou um vídeo no X, mostrando o resgate do segundo menino de 11 anos na cidade de Caraballeda. "Nestas horas, cada vida é esperança para a Venezuela", escreveu.
Área mais atingida e esforços de resgate
Autoridades disseram que a região costeira de La Guaira, onde fica Caraballeda, foi a mais atingida. Os esforços de resgate têm sido prejudicados por tremores secundários, que por sua vez têm aterrorizado os moradores. "Para ser sincero, isso deixa a pessoa meio nervosa. Qualquer barulho... horrível", disse Jesús Andueza, um motorista de ônibus de 64 anos, à BBC News Mundo.
Vida nos acampamentos
Milhares de pessoas estão vivendo em seus carros ou acampando em locais como o aeroporto e campos de golfe, longe de edifícios que podem desabar. O campo de golfe em Caraballeda tornou-se o epicentro da resposta de emergência. Seu gramado verde, que antes era perfeitamente cuidado, agora é um hospital improvisado e centro de doações, onde moradores que perderam tudo vasculham pilhas de roupas doadas e caixas de ajuda humanitária. Em outra parte do campo de golfe, ao lado de uma pequena lagoa, uma faixa de terra foi preparada como área de pouso para helicópteros que chegam com suprimentos e equipes de emergência da Venezuela e do exterior. Na área ao redor do campo de golfe, as ruas de Caraballeda — rachadas e cobertas de escombros — são marcadas por poeira e silêncio, interrompidos apenas pelo maquinário pesado e por aqueles que realizam buscas entre os destroços.
Milagros González, disse à BBC Mundo que seu prédio foi um dos poucos que não desabaram e que ela fugiu assim que pôde para se abrigar no campo de golfe. "Saí com minhas duas filhas pequenas e dois parentes idosos. Mas, graças a Deus, saímos vivos. O prédio não é habitável. Mas estamos vivos, que é o que importa", disse. González disse que toda vez que se deita, acorda tonta e acha que o chão está tremendo. "Um psicólogo acabou de me dizer que isso faz parte do processo", disse, enquanto suas duas filhas pequenas brincam com bonecas sobre um colchão na grama.
Resposta do governo e ajuda internacional
Em uma mensagem de vídeo no domingo, Delcy Rodríguez disse que o complexo esportivo José María Vargas, em La Guaira, também está funcionando como centro de resposta de emergência. Ao destacar que as forças armadas estavam organizando roupas, medicamentos e alimentos, Rodríguez disse que "tudo está funcionando da melhor maneira possível nestes momentos terríveis, nestas horas terríveis que nosso povo está enfrentando". "Que saibam que ninguém aqui está sozinho, nenhuma família ou indivíduo precisa se sentir sozinho. Nosso povo e nosso Estado estão aqui, o sistema de proteção social está aqui, e a solidariedade internacional está aqui." Mas a frustração tem aumentado, com alguns dizendo que a resposta do governo é lenta e ineficiente. Em algumas das áreas mais afetadas, como Caribe e Tanaguarena, há regiões inteiras onde a remoção de escombros ainda não começou.
Nos últimos dias, equipes internacionais de resgate do México, Espanha, Qatar, Estados Unidos e Reino Unido chegaram para reforçar a busca. Tom Fletcher, uma autoridade da ONU, disse no sábado que 39 equipes de busca e resgate foram mobilizadas de todo o mundo, cada uma composta por 50 a 100 pessoas. "Estamos falando de quase 2 mil pessoas chegando, 111 cães, além de equipes médicas. Utilizamos microdrones que nos ajudam a encontrar pessoas nos edifícios."



