Michelle Bolsonaro expõe briga com Flávio e fala em humilhação
Michelle Bolsonaro expõe briga com Flávio e fala em humilhação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tornou pública uma grave desavença com o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, revelando que se sentiu humilhada e que entendeu que seu apoio não era desejado. O episódio, ocorrido em 2025, veio à tona nesta semana após Michelle publicar um depoimento nas redes sociais, gerando reações imediatas no cenário político cearense.

Elmano de Freitas critica aliança da oposição

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), comentou a crise nesta quinta-feira (25). Em evento em Fortaleza, ele afirmou que a composição da oposição é "absolutamente estranha" e demonstra incoerência política. "A fala da ex-primeira-dama fala por si. Não me cabe me envolver, mas fica evidente a incoerência", declarou Elmano, que disputa a reeleição pelo PT. O governador disse ainda que lamenta que pessoas do campo democrático tenham decidido se aliar ao bolsonarismo.

O que motivou o racha entre Michelle e Flávio

De acordo com Michelle, a briga começou durante um comício em Fortaleza no fim de 2025, onde ela criticou a articulação do deputado federal André Fernandes (PL) para que o PL apoiasse a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará em 2026. Michelle considerou a aliança precipitada, lembrando que Ciro havia criticado duramente Jair Bolsonaro e seus filhos. "É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá", disse Michelle na ocasião.

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Pouco após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou para ela. "Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante", narrou Michelle.

Disputa por vaga no Senado agrava crise

Outro ponto de atrito foi a briga por uma vaga no Senado. Michelle apoiou publicamente a pré-candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL), que, segundo ela, havia sido acordada com Jair Bolsonaro. No entanto, André Fernandes articula que o partido lance seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), como senador. Michelle questionou: "Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai?"

PL oficializa apoio a Ciro Gomes em maio

Apesar das críticas de Michelle, o PL no Ceará oficializou apoio a Ciro Gomes em maio deste ano. A aproximação entre Ciro e André Fernandes começou após as eleições municipais de 2024, quando André perdeu a disputa pela Prefeitura de Fortaleza por pouco mais de 10 mil votos. Pesquisa Quaest de abril indicava Ciro na liderança com 41% das intenções de voto, contra 32% de Elmano e apenas 4% de Eduardo Girão (Novo), candidato apoiado por Michelle.

Michelle defende que o apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno. Ela também criticou a aliança por considerar que Ciro foi responsável pelo processo que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

Reações e desdobramentos

Em 2025, após a fala de Michelle, os filhos de Jair Bolsonaro reagiram: Flávio afirmou que ela havia "atropelado" o ex-presidente; Carlos e Jair Renan endossaram a crítica; Eduardo disse que André Fernandes foi "injustamente exposto". Lideranças do PL no Ceará também defenderam o apoio a Ciro. Após a crise, o PL suspendeu as conversas com o PSDB em dezembro de 2025, mas a aliança foi oficializada em maio de 2026.

O governador Elmano disse que ainda não é possível prever os efeitos da crise nas Eleições 2026, mas afirmou que seu foco é enfrentar o bolsonarismo. "Tenho opinião de que vamos enfrentar o bolsonarismo no Brasil, e lamento que gente do campo democrático tenha decidido se abraçar com o bolsonarismo", concluiu.

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