O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a autonomia e a soberania dos países do Mercosul durante discurso na 68ª Cúpula do bloco, realizada nesta terça-feira, 30, em Assunção, no Paraguai. Sem citar diretamente o presidente americano Donald Trump, Lula afirmou que “ninguém é dono da América do Sul”.
Defesa da autonomia regional
“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação”, declarou Lula.
Proposta de expansão do Pix
O presidente também apresentou o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, como referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Lula destacou que, por ser público e gratuito, o Pix tem potencial para ultrapassar fronteiras. Ele propôs que o modelo seja base para uma infraestrutura integrada de pagamentos no Mercosul, beneficiando todos os cidadãos do bloco.
Solidariedade à Venezuela e mecanismo contra desastres
Lula manifestou solidariedade à Venezuela pelos terremotos duplos da semana passada, que causaram “perdas humanas e materiais incalculáveis”. Segundo balanço do governo venezuelano na segunda-feira, 29, os tremores deixaram ao menos 1.719 mortos, 5.034 feridos e 15.866 desabrigados. A ONU estima mais de 50 mil desaparecidos.
O presidente sugeriu ao Uruguai, que assume a presidência do Mercosul, que o bloco crie um mecanismo para enfrentar desastres naturais. “Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes demandam maior coordenação regional em matéria de sistemas de alerta precoce e de gestão de desastres. O Mercosul pode ser o embrião de um mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais e de financiamento a medidas de adaptação climática”, disse Lula.
A fala ocorre em meio a eventos climáticos como o El Niño, que deve ter maior impacto neste ano. Lula enfatizou a necessidade de cooperação regional diante de tragédias e desafios climáticos.



