Keiko Fujimori discursou nesta quarta-feira (24) em Lima, no Peru, como virtual vencedora do segundo turno das eleições presidenciais. Em sua fala, ela prometeu unir o país. Com 99,870% das urnas apuradas, a candidata da direita lidera apuração com 44 mil votos a mais que seu adversário, Roberto Sánchez, que não pode mais alcançá-la. O resultado ainda deve ser validado pelo JEE, a autoridade eleitoral do país, que julga pedidos de impugnação de urnas pelos candidatos.
Discurso de união e promessas de governo
“Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, disse Fujimori em uma coletiva de imprensa. “A partir de 28 de julho (dia da posse), o que vocês verão serão ações e decisões tomadas não apenas para restaurar a ordem, mas para combater o crime e também para trazer progresso”, afirmou ela.
Fujimori, que concorreu à presidência quatro vezes e é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, afirmou que faria uma “convocação aberta” a tecnocratas experientes para compor seu primeiro gabinete, em um esforço para cumprir promessas de campanha de combater a criminalidade e enfrentar a profunda desigualdade.
Vantagem irreversível e contestações
A política de 51 anos abriu uma vantagem irreversível na noite de terça-feira sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, após o segundo turno realizado em 7 de junho — cuja definição levou semanas devido a contestações de votos e à chegada tardia de votos do exterior. Embora não tenha chegado a declarar vitória, Fujimori falou sobre os primeiros passos de um eventual governo enquanto aguarda o anúncio oficial do vencedor, previsto para ocorrer até meados de julho.
A autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente um vencedor. Observadores internacionais afirmaram que a eleição transcorreu normalmente, apesar das contestações sobre as cédulas. Na terça-feira, Sánchez alegou, sem provas, que houve fraude e afirmou que não reconheceria um governo Fujimori.
Reações e perspectivas de reunificação
Fujimori se recusou a responder diretamente às declarações de seu rival, mas disse que, como o país saiu fragmentado da eleição, “as opiniões de Sánchez e de seu partido, com quem competimos, também serão importantes para iniciar esse processo de reunificação como peruanos”.
A esperada vitória de Fujimori marcaria o retorno de uma dinastia política que inspirou tanto lealdade fervorosa quanto profunda hostilidade entre os eleitores de um país mergulhado em crises políticas quase constantes, e o retorno de uma das forças políticas mais dominantes e polarizadoras do Peru nas últimas três décadas.



