A 5ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de Alter do Chão (CineAlter) encerrou com a premiação dos destaques do cinema latino-americano, consolidando o evento como uma das principais vitrines do audiovisual amazônico. Realizado entre os dias 12 e 14 de junho em Santarém, no oeste do Pará, o festival registrou recorde de inscrições, salas movimentadas e forte presença de realizadores, estudantes, pesquisadores e comunidades tradicionais.
Premiação e destaques
O grande vencedor da mostra foi o longa-metragem "O Refúgio", dirigido por Rafael Duarte, que conquistou os troféus de Melhor Longa-Metragem e Melhor Direção de Longa-Metragem. O documentário retrata aspectos históricos da presença negra na região de Cachoeira Porteira, no Pará. Entre os curtas, o destaque ficou para "ECOCIDIO", coprodução entre Argentina e Peru dirigida por Aldana Loiseau, que venceu como Melhor Curta-Metragem ao abordar os impactos da crise climática e as desigualdades enfrentadas por populações vulneráveis.
A produção amazônica também teve espaço de destaque na premiação. O Prêmio Tapajós de Cinema foi entregue ao curta "Fé que Move Rios", dirigido por Viviane Borari, que retrata a mobilização de jovens de diferentes crenças em defesa das águas e da floresta do Tapajós. Representando a equipe do filme, Sofia Amazonas destacou a importância do reconhecimento: "Esse prêmio valoriza o esforço de comunicar com responsabilidade, dar visibilidade às nossas realidades e contar histórias que nascem dos nossos territórios. Também incentiva que outras produções continuem sendo realizadas, fortalecendo o audiovisual amazônico".
Outros premiados
O prêmio de Melhor Filme Paraense foi concedido a "O Regresso à Patú Anú", dirigido por Akha Rubi, obra que mergulha nas encantarias amazônicas e nas tradições culturais da região. Já o prêmio de Melhor Roteiro de Longa-Metragem ficou com "Mundurukuyü: A Floresta das Mulheres Peixe", dirigido por Beka Munduruku, Aldira Akay e Rylcélia Akay. Na categoria curta, o destaque foi "Zezé Moveu Montanhas", de Juliana Uepa. O prêmio de Melhor Direção de Curta-Metragem foi para "A Pele do Ouro", dirigido por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, documentário que aborda os impactos socioambientais da atividade garimpeira.
Importância do festival
Para a secretária municipal de Cultura de Santarém, Priscila Castro, o festival reafirma a importância de criar espaços dedicados às narrativas produzidas na Amazônia. "Encerramos esta edição com um sentimento muito positivo. O CineAlter cumpre um papel importante ao colocar as narrativas amazônicas no centro do debate cultural e audiovisual. É um espaço de encontro, reflexão e valorização da nossa identidade, ao mesmo tempo em que nos conecta com produções de toda a América Latina", destacou.
Segundo o diretor-geral do festival, Raphael Ribeiro, a quinta edição demonstrou o amadurecimento do evento e o crescimento da produção audiovisual na região. "Foi uma edição marcada pelo aprendizado e pelo fortalecimento do audiovisual amazônico. Tivemos recorde de inscrições, o que mostra que cada vez mais pessoas estão produzindo cinema na Amazônia e encontrando espaços para exibir suas obras", afirmou.
A curadora Viviane Pistache ressaltou que a seleção deste ano evidenciou a diversidade e a potência criativa da produção regional. "Tivemos um volume impressionante de filmes produzidos na Amazônia. O festival apresenta um retrato profundo das realidades vividas em nossos territórios e promove conexões entre diferentes experiências e formas de fazer cinema", observou.
Para a jornalista e crítica de cinema Flavia Guerra, o crescimento do CineAlter acompanha a evolução do próprio cinema amazônico. "O cinema da Amazônia está cada vez mais sofisticado. Os jovens estão filmando mais, se especializando e ampliando suas possibilidades de criação. É fundamental que a Amazônia tenha uma produção audiovisual forte, contínua e descentralizada, capaz de mostrar ao mundo a diversidade dos seus territórios e das pessoas que vivem aqui", destacou.
Ao final da quinta edição, o CineAlter reforçou seu papel como um dos principais espaços de circulação, formação e valorização do cinema produzido na Amazônia e na América Latina, ampliando a visibilidade de histórias que nascem da floresta e dialogam com temas universais.



